Como PARAR de não se sentir bom o suficiente

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Estou escrevendo esse texto diretamente do lobby de um dos hotéis mais badalados de Nova York. Ele é conhecido por ser a casa dos empreendedores milionários, hipsters e descolados. O ambiente é escuro, com cara daquelas bibliotecas de faculdade americana que vemos em filmes, aconchegante e cheio de gente que parece saber o que está fazendo da vida.

Frequentar esses lugares é um constante exercício para mim. Exercício porque ainda existe uma parte em algum lugar lá dentro que não sente que merece estar nesse tipo de lugar, com essas pessoas, em meio ao luxo e o cool.

Você já sentiu que algo é bom demais para você?

Não se sentir bom o suficiente

Nasci e fui criada boa parte da minha vida no Rio de Janeiro e consigo lembrar nitidamente de diversos episódios na minha infância onde minha família e eu iríamos passear em um shopping em alguma área mais nobre da cidade e eu ficava o tempo todo morrendo de vergonha de estar lá.

Achando as pessoas bonitas demais, magras demais, ricas demais, bem vestidas demais… Parecia que eu não me encaixava… Que aquilo não era para mim.

Lembro também de diversas vezes onde a minha mãe comentava sobre a Zona Sul do Rio e como a gente deveria evitar de andar por lá, já que “a gente vai se perder” e “é bairro de rico".

Hoje eu tenho plena clareza de que todos esses sentimentos que aos 12, 13 anos eu enfrentava em qualquer situação onde me achasse menos do que as pessoas ao meu redor, vem na verdade de uma crença muito forte de não merecimento e baixo valor.

Crenças essas criadas ao longo da infância e confirmadas repetidas vezes pelas figuras de autoridade na minha vida durante esse tempo (pais, professores, amigos próximos…). Hoje sei que nenhum deles fez isso de maneira consciente mas, ainda assim, o recado estava sendo constantemente dado: sou menos.

Você também já se sentiu assim?

Como PARAR de não se sentir bom o bastante

Deus e o Universo tem maneiras muito lindas e bem humoradas de trabalharem nossas crenças e nos levarem para onde precisamos estar e, olha só… Aos 19 anos cabei me mudando para Zona Sul!

Para ser bem sincera, no início eu me sentia um peixe fora d’água! Olhava para as pessoas ao meu redor, os restaurantes, cafeterias e até a rua da minha casa e pensava:

“O que eu eu tô fazendo aqui???”

Ainda não tinha ideia de todas as crenças limitantes que tinha à respeito de não merecimento (a descoberta e a cura disso só veio um bom tempo depois), mas o processo natural que começou a acontecer é o mesmo que uso hoje: comecei me expor à esses lugares de propósito, para que eu me tornasse cada vez mais confortável com eles.

Comecei à ser cliente fiel das cafeterias ao meu redor. Me levei para jantar em restaurantes mais chiques. Assisti filmes cult em cinemas especiais… E aos poucos fui percebendo que eu não era pior do que aquelas pessoas e que elas não eram melhores do que eu.

Também fui percebendo que eu gostava daqueles lugares e que eu me sentia bem estando lá. Entendi que eu merecia me sentir bem.

E os sentimentos de merecimento, de validação, de afirmação pessoal que vem dessas experiências… Isso é muito muito poderoso.

Passo a passo para se sentir bom o suficiente

Se você também se encontra na mesma situação e sabe que merece melhor, aqui vai um passo a passo bem simples e eficiente para que você possa mandar para bem longe esses sentimentos de não merecimento!

PASSO 1: Escolha um lugar ou uma situação que faz com que você não se sinta bom o suficiente

Expor sua opinião no ambiente de trabalho, um bairro mais chique da cidade, colocar seu trabalho online… Seja sincero com você mesmo quanto essa escolha.

PASSO 2: Defina uma abordagem para ir se expondo à essa situação (aos poucos)

Expor sua opinião no trabalho —> comece respondendo um e-mail onde estão discutindo uma ideia ou projeto com algo do tipo “Adorei essa ideia! Estava pensando que poderíamos agregar mais algumas coisas nela como X, Y & Z. O que você acham?”

Um bairro mais chique da cidade —> encontre uma Starbucks ou outra cafeteria que você ache legal e esteja nessa área. Leve um livro e se permita passar ao menos uma hora por lá, lendo seu livro e absorvendo o ambiente.

Colocar seu trabalho online —> poste nos Stories do seu Instagram um pedacinho do seu trabalho pronto ou do processo de criação. Pode ser só uma foto ou Boomerang.

PASSO 3: Fique atenta aos sentimentos e sensações que vão vir à tona

Você se sente incomodada? Ansiosa? Com medo? Com vergonha? Se permita sentir o sentimento (não bloqueie ou se cobre para sentir outra coisa!!) e logo depois se lembre que você não é pior do que ninguém e ninguém é melhor do que você. Provavelmente as pessoas ao seu redor não estão nem parando para prestar atenção em você! Cada um está vivendo e seguindo sua própria vida. Respire fundo e continue sua experiência.

PASSO 4: Nos próximos dias, se pergunte de onde esses sentimentos vieram

Nos dias após seu experimento, faça auto analises e se pergunte de onde esses sentimentos vieram. Quando foi a primeira vez que você sentiu esse tipo de sentimento (alguma festinha de amiguinhos na escola, aquela visita que fez na casa dos seus tios que são bem de vida…)? O que te faz acreditar que isso é verdade? O que é REALMENTE verdade (dica: que você não é melhor ou pior que ninguém, que é MUUUUUITO mais do que suficiente!)?

PASSO 5: Repita, repita, repita!

Quanto mais você se expor à esses ambientes e situações, mais fácil e leve vai ser. Lembre de sempre prestar atenção aos seus sentimentos e pensamentos e se traga para uma auto análise depois. Os sentimentos de inadequação que antes eram tão fortes vão perdendo a cor e você vai construindo uma nova realidade. Tenha paciência e abrace seu processo.

Como saber se sou inadequada?

Por mais que as batalhas iniciais sejam vencidas, sempre vamos ter novos níveis de crenças limitantes para vencermos e essa é a graça de decidir assumir esse papel se ser um eterno estudante de si mesmo!

Esse é o motivo pelo qual eu venho, cada vez mais, me expondo à lugares e situação de alto nível financeiro. É a razão de eu ter decidido vir trabalhar do lobby de um hotel 5 estrelas.

Para mostrar para mim mesma que eu posso estar aqui. Que tudo bem estar aqui. Que eu mereço estar aqui.

Só conseguimos alcançar um novo nível de sucesso (amoroso, financeiro, profissional…) quando entendemos que somos merecedores dele.

Mas isso é assunto para um outro post…

Por enquanto, só preciso comentar que ao escrever essas últimos linhas já estou me sentindo mais em casa aqui. Que bom saber que eu mereço viver meus sonhos. Mesmo os mais loucos.

Manda a sua alma calar a boca

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Quando comecei a pensar nesse texto, um trecho de música veio muito forte na minha cabeça. Ele é cantando por uma das minhas bandas prediletas há quase 10 anos e segue assim: 

I’ve got excuses for all these things
That I’ve tried, in my life

Eu tenho desculpas para todas essas coisas
Que eu tentei, na minha vida
— Misery, The Maine

É meio constrangedor assumir, mas por muito tempo me identifiquei com essa letra

Eu procrastino, tu procrastinas, nós não andamos

Posso começar falando de mim? Acho que você vai se sentir mais confortável e não ofendido, pelo menos para início de conversa. 

Eu já fui (e preciso me policiar para não continuar sendo) alguém muito bom em criar desculpas. Para tudo. Desde justificar meu pedido de demissão, passando por não assumir responsabilidades, não conservar amizades, ir até o fim em planos, ou simplesmente não ter foco. 

No geral, enxergava essas coisas como algo que parecia muito pesado, talvez só não fosse o momento certo (eu dizia). Ao menor sinal de rotina ou desconforto, eu dizia adeus. Por causa desse comportamento, acabei abrindo mão de experiências que precisava ter vivido, adiei diversas questões na minha vida. Me tornei fraca quando tinha tudo para ser forte. 

Mesmo que por fora tudo parecesse super bem resolvido e eu me portasse como alguém entendida dos motivos pelos quais tomava aquelas decisões, no fundo eu estava inventando uma desculpa para não fazer algo que me arrancava da zona de conforto

A zona de conforto nunca foi tão desconfortável 

Mas chegou um momento onde se tornou insustentável continuar na zona de conforto. Era pesado demais. Não dava para respirar. 

Comecei a ver todos ao meu redor progredindo, indo além e rompendo barreiras. E mesmo com diversas pessoas achando que eu estava indo na mesma direção, lá no fundo eu era completamente assombrada por todo o tempo no qual eu me mantive criando desculpas. Tinha a certeza absoluta de que esse "tempo perdido" estava prestes à bater na minha porta, para me cobrar a conta das decisões imaturas tomadas nos últimos anos. Foi quando precisei acordar. 

Sendo bem sincera, acho que essa hora chega para todo mundo. Talvez mais cedo para alguns do que para outros. É um banho de água fria necessário entender que a jornada para viver a vida dos nossos sonhos não se parece nem um pouco com um sonho. Ela é acompanhada de rotina, diligência, persistência, algumas lágrimas e dias que podem não parecer muito emocionantes. Lembra o que eu já escrevi sobre rotina e vida adulta?

É preciso ser maduro o suficiente para entender que uma soma de sacrifícios, pensando lá na frente, é capaz de te preparar para viver seus sonhos. Uma estrutura precisa ser criada para que a gente não desabe quando cresce. 

Três em um

Acredito que somos seres tricotômicos. Formados por corpo (nossas necessidades físicas), alma (casa dos pensamentos e emoções) e espírito (o guia sábio e centrado). 

Na maior parte do tempo, a alma funciona como uma criança mimada. Ela é inconstante e imediatista. Já reparou como suas emoções podem mudar drasticamente ao longo do dia? Sou só eu que tomei decisões que pareciam urgentes no momento, caso de vida ou morte, mas depois se revelaram extremamente estúpidas e desnecessárias? 

Quando vivemos uma vida guiada pelos desejos da nossa alma (na maior parte do tempo), consultando o espírito de forma escassa, fugimos de qualquer situação capaz de nos puxar para fora da nossa zona de conforto

Isso significa pular para fora do barco toda vez que o amadurecimento está para chegar, sem nunca conseguir realizar totalmente nosso potencial. Já que ele só é esticado e plenamente desenvolvido quando colocamos o pezinho para fora do conhecido. 

Enquanto as desculpas e justificativas continuam ficamos sem dar passos para frente. Não fazemos o que é necessário ser feito, como consequência não chegamos onde deveríamos chegar. 

Agora ou nunca

Nesse ano precisei parar com as desculpas e me jogar em um banho de realidade. Assumindo para mim mesma verdades que neguei por muito tempo. Precisei tomar uma série de decisões que fez as pessoas ao meu redor ficarem confusas, de início nem a minha família entendeu muito bem os rumos que eu havia decidido tomar. Era tudo muito novo. Para todos. 

Mesmo com conselhos preocupados e pedidos calorosos, no fundo eu sabia que era agora ou nunca. Estava cansada de ser refém das minhas próprias desculpas. Nada pode ser pior do que sentir ser prisioneiro de si mesmo. 

Então, meu desafio de hoje chega para sacudir as estruturas por aqui e por aí, com você: pare de arranjar desculpas e vá para fora.

Abrace a parte desconfortável da vida. Crescer é uma sucessão de escolhas onde deixamos de lado aquilo que queremos para buscar as coisas das quais precisamos.  Dói bastante. Vale a pena. 

Uma das coisas mais deturpadas que já nos ensinaram é a história de "siga seu coração", ele é enganoso e uma parte confusa da alma. Na maior parte do tempo é instável e, por isso, não muito confiável. 

Chegou a hora de crescer e ser esticado. Não dá mais para se esconder dentro da sua zona de conforto. Ela é pequena demais para o lugar que você foi chamado para ocupar. Só depende de você chegar lá.

Ser grato é ser louco

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Se você me acompanha há algum tempo nas redes sociais, já deve ter percebido que eu tenho um carinho especial pela frase "todas as coisas trabalham juntas para o bem". Na verdade, essa é minha frase predileta. Muito além do online, essas palavras são repetidas por mim constantemente na vida real.

Por conta disso, é realmente difícil me ver reclamando ou resmungando pelos cantos (tirando alguns dias complicados de TPM, claro). Essa perspectiva fez com que eu me considerasse uma pessoa grata.  

Mas nos últimos tempos venho sendo confrontada em relação ao que realmente é a gratidão em um sentido mais expandido da prática. Mais do que acordar e estar feliz por estarmos vivos, como a gratidão funciona quando as coisas parecem completamente fora do lugar? Quando você se sente injustiçado e não consegue superar um assunto? Como a gratidão funciona quando parece impossível ser grato pelo o que está diante dos nossos olhos?

A gratidão não faz sentido

Até bem pouco tempo, achava que gratidão era aquela coisa: "Não tenho tudo o que gosto, mas gosto de tudo o que tenho". Mas venho sendo desafiada a entender um outro lado da moeda.

Na verdade, a gratidão tem poder para encerrar um ciclo de dúvida e instabilidade. Você passa por alguma coisa, seja isso bom ou ruim e simplesmente agradece por aquilo. É um caminho de aceito, agradeço, confio e deixo ir (ele pode funcionar em diferentes ordens). 

Sei que essa ideia pode parecer completamente louca. Não faz sentido agradecer por pessoas e situações que nos fizeram mal, certo? Mas existe algo poderoso nessa loucura toda, gratidão realmente não faz sentido. Ela coloca um filtro na vida capaz de demonstrar como tudo tem propósito, sentido, motivo. Não sei você, mas para mim essa existência tem muito mais cor quando ganha essa perspectiva. 

Dito isso, atitudes de gratidão funcionam como se você olhasse para Deus (e Universo) e dissesse: Ok, eu aceito isso para mim. Concordo com seus planos e sou grato, mesmo sem entender.

Simples, mas desafiador. 

Todas as coisas trabalham juntas

Ao usarmos essa abordagem de gratidão ("Isso precisava acontecer, para esse momento da jornada e tempo.") tiramos um peso do nosso coração. A culpa, desolamento e sensação de não sabermos para onde ir ou o que fazer vão embora. Simplesmente por entendermos que aquilo contribuiu para nosso crescimento, algo maior. 

É a ideia de que todas as coisas cooperam para bem, elevada à potência máxima

Quando realmente incorporamos essa atitude, ela encerra as possibilidades de questionamento, dúvidas ou instabilidade. Encerramos o assunto com chave de ouro: a gratidão

Ao invés de perdermos tempo remoendo com revolta aquilo dentro da gente, abrimos espaço para processar o acontecido de forma mais calma e pacífica. 

Quando somos gratos por algo, entendemos que se aquilo não tivesse acontecido, não levaríamos o baque necessário para uma mudança de curso

Alguns nunca enlouquecem

Sendo bem sincera, esse não é um movimento fácil de se fazer. É extremamente incômodo não ver as coisas acontecendo do nosso jeito. Principalmente quando estamos tomando uma daquelas rasteiras da vida onde parece impossível levantar. Nesses momentos, principalmente, a gratidão funciona como uma mola capaz de nós impulsionar, gerando novo fôlego para seguir na corrida. 

Aceite o desafio de ser grato além dos padrões, da maneira mais louca e radical possível. Isso faz a vida ter muito mais ritmo e leveza. Faz dela uma jornada, não um passeio. 

Minha vida está parada e eu não sei o que fazer

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Você já teve aquela sensação de que as coisas simplesmente pararam de acontecer, como se estivesse travado nessa fase do jogo, sem fazer a mínima ideia de quando vai conseguir chegar na próxima? Eu já. 

A assustadora impressão de que todas as outras pessoas do mundo estão conseguindo novos empregos, aumentos de cargo, mozões, filhos, viagens incríveis, enfim... crescendo na vida, enquanto você está exatamente no mesmo lugar. 

Afinal, o que fazer quando a vida não anda?

Os acomodados que se mudem 

Ao meu ver, essa situação pode acontecer em dois cenários diferentes.

No primeiro deles, estamos realmente acomodados. Até percebemos que as coisas não estão andando, mas ah... tá confortável assim. Emprego ok, relacionamento ok, vida social ok. Não rola muita motivação para gerar mudança. E, por mais que você sinta que as coisas estão estagnadas, não faz nada realmente eficaz a respeito. 

Então reclama, coloca a culpa no chefe, no parceiro, na economia, nos amigos... Mas, sendo bem sinceiro, você está sendo um agente de mudança na própria vida? Tipo, mesmo. 

Se conseguir ser corajoso o suficiente para fazer uma avaliação nua e crua, notando que o principal responsável para tudo estar dessa maneira no caso é você mesmo, tenho uma boa notícia: fazer as coisas mudarem é bem simples, é só tirar a bunda da cadeira.

Liste as áreas da sua vida que estão estagnadas, crie planos de ação para fazer elas começarem a florescer e mão na massa. Cansa mas não machuca.

Tentar outra vez?

Mas o outro lado da moeda também existe.

Você está lá, mandando currículo para tudo quanto é canto, estudando para caraca (essa é a hora que você descobre que eu sou carioca), dando o seu melhor no trabalho, economizando para juntar grana, buscando aperfeiçoamento para se tornar uma pessoa melhor... mas parece estar remando contra a maré. Por mais que esteja se doando de corpo e alma, as coisas simplesmente não acontecem

A verdade é que chega um determinado momento onde essa situação acaba se tornando completamente agonizante, simplesmente não sabemos mais o que fazer. Estamos esgotados, exaustos e sem saber para onde ir. Já tentamos mudar de estratégia, ir para outras direções, mudar os rumos. Nada deu certo. 

Mudança de perspectiva

Aqui é o momento onde vou fazer uma observação que pode fazer com que você queira ir embora de raiva, mas é necessária. Na verdade, repito isso para mesma todos os dias, principalmente quando momentos assim chegam: 

Tudo está cooperando para o seu bem. As coisas estão trabalhando juntas para o seu bem.

Então, se você acabou ficando "preso" nessa fase, é porque existem coisas que precisam ser trabalhadas aí dentro e, pelo jeito, esse trabalho só vai acontecer (para agora) nessas circunstâncias. 

Por exemplo se tornar uma pessoa mais paciente, persistente,  diligente, alguém que continua acreditando e tendo fé mesmo quando não consegue tocar.

Aliás, eu gosto muito de uma definição de fé que diz o seguinte:

(...) A fé é o alicerce sólido que sustenta qualquer coisa que faça a vida digna de ser vivida. É pela fé que lidamos com o que não podemos ver.
— Hebreus 11:1

LIDAMOS. COM. O. QUE. NÃO. PODEMOS. VER.

A fé que você tem no fato de que nasceu para dar certo e em como todas as coisas estão trabalhando juntas para o seu bem, te faz continuar mesmo quando tudo aponta para a desistência.

O que eu fiz e deu certo, é o conselho que acabo dando para todo mundo: continua dando o seu melhor, tenha diligência, não espere a chuva passar para dançar. Pense em como você pode fazer dessa estação no deserto algo melhor e relevante.

Ela pode ser horrível, sem você aprendendo a lição necessária (o que vai fazer demorar ainda mais), ou vivida com clareza e consciência, prestando atenção aos detalhes geralmente desapercebidos (o que vai fazer com que as coisas fluam muito mais).

O que Deus e o Universo estão querendo trabalhar em você? Se entregue ao processo.

Lembrando que não é para deixar de correr atrás, mandar currículo, se esforçar no trabalho e lutar pelo o que ama, mas sim se entregar para o processo de ser transformado por essa estação. Assim que você conseguir atingir o que é necessário, automaticamente vai para a próxima fase. As coisas não vão ficar travadas para sempre. Elas vão fluir e continuar.

Mas esse momento está acontecendo na sua vida por um motivo. Abrace esse motivo, trabalhe nesse motivo e saia daí uma pessoa melhor. Com certeza mais paciente, diligente e mais cheio de fé.

A história da semente

Eu gosto muito de uma palavra do Steven Furtick*, onde ele fala sobre a semente. É mais ou menos assim: 

O grande teste da semente é: ‘Ela pode sobreviver ao solo?’ (...)
A semente cresce e brota por causa do trabalho do solo. Eu acho que é aí que a maioria dos sonhos morrem, no solo. (...)
As vezes, você vai se sentir como a semente que vai fundo até o solo, e o solo é um lugar muito estranho para estar, porque quando a semente está no solo, ela não pode ver qual foi a intenção de quem a colocou ali.
Quando a semente está no solo, há momentos em que parece que não vai conseguir oxigênio ou água suficiente. Eu sei que estou personificando um objetivo inanimado, mas sabe... a sua vida é uma semente. Seu sonho é uma semente. Sua visão é uma semente. Seu propósito é uma semente. Parece insignificante e é preciso ter muita fé para ver o que parece insignificante. Mas sabe do que precisa de ainda mais fé? Acreditar que o propósito ainda está funcionando quando o processo é invisível, na fase do solo!
O que precisa de mais fé é continuar crescendo estando enterrado no solo da incerteza. Mas é exatamente isso que você tem que fazer! (...)
Quando estou semeando, preciso acreditar que irá se tornar algo. Quando estou colhendo, preciso ter força para ir lá e trabalhar no que iniciei. Mas existem alguns estágios da fé onde não há nada que você possa fazer. Apenas esperar. Eu estou acreditando em algo que não posso ver mais.
Semear uma semente significa soltá-la. Isso significa que você precisa deixá-la ir por um tempo. Você tem que, apenas, dar uma passo para trás. (...)
— Steven Furtick

Entende? A semente não está vendo o que acontece, justamente por estar debaixo da terra. Mas é preciso deixar ela ali, já que o solo (ou seja, o ambiente onde ela está inserida) está trabalhando para o seu crescimento.

Se você sabe que está dando tudo de si, pare de se culpar e sofrer pelas coisas não estarem acontecendo. Simplesmente solte a semente e acredite que o Universo está trabalhando, só continua em paz.

Você nasceu para dar certo, NADA muda isso.

Então, só mantenha o ritmo e acredite que nada dura para sempre. Esse é o grande segredo, afinal.

 

 

* O link do vídeo completo tá aqui,  lembrando que é uma visão cristã sobre essas estações da vida (o que faz muito sentido para mim), então se você não é simpatizante dessa linha, pode ser que não faça muito sentido para você. De qualquer maneira, é um vídeo incrível. Foi uma das coisas que mais me confortou, me ajudando a entender e tirar o máximo desse tempo na minha vida. :))

Eu, você e a nossa vocação para sofrer por amor

Uma das mulheres mais fortes que eu conheço foi também uma das pessoas mais dependentes emocionais que eu já conheci. Funcionava assim: ela era apaixonada por um cara que a traia constantemente. Mentia, sumia, era distante e sempre arrumava mil justificativas para um comportamento que, simplesmente, não era certo ou justo. Ela ficava na mão dele, tendo como desculpas ser completamente apaixonada por esse querido. E ele continuava a fazer todas essas coisas estúpidas, por achar que ela estaria sempre garantida. Essa história durou anos. 

Mas uma hora, por algum milagre divino e uma força de vontade extrema, essa mulher simplesmente abriu mão, decidindo seguir. Se recuperou, procurou ajuda, foi em frente. Hoje ela namora um cara maravilhoso, já fazem quase dois anos. Não consigo descrever como amo e sou inspirada por esse casal.

Trágico ou hilário, esse ex do passado ressurgiu há alguns dias, chorando as pitangas sobre a sua atual "namorada". A atual moça anda fazendo exatamente a mesma coisa que ele costumava fazer com a minha amiga - na verdade pior, porque posta em todas as redes sociais ao vivo, não fazendo a mínima questão de esconder ou minimizar danos. 

Ao longo da conversa, uma pergunta foi inevitável: Então, por que você não termina? 

A droga do amor

Ele começou uma longa série de explicações sobre como a amava e abrir mão de alguém tão importante na vida seria dolorido demais. Queria criticar, mas me identificava com essa dor

Não por uma, duas ou três vezes estive exatamente na mesma posição. Com todas as pessoas próximas de mim fazendo as perguntas: "Por que você não termina?", "Por que você ainda aceita isso?", "O que você está fazendo com a sua vida?". 

A verdade é que me sentia impotente frente a situação. A maioria de nós, quando passa por algo assim, tem esse profundo sentimento de insuficiência. Além de não termos forças, toda a nossa percepção de valor próprio fica seriamente nublada e confusa. A gente sabe que não merece aquilo, mas mesmo estando desconfortável... Continuamos. Parece tudo bem aceitar uma situação degradante, quando aqui dentro do peito sentimos algo que aparenta ser tão grande, salvador e genuíno

O problema, é que toda confusão mental causada não vale a pena, só que estamos cegos demais para enxergar.

É justamente isso: ficamos cegos de amor.

Quer dizer que amor é realmente uma droga no sentido real e entorpecente da palavra? 

Então, esse bendito sentimento faz com que aceitemos situações normalmente inaceitáveis, criando algemas afetivas com alguém possuidor do brilhante talento de nos devastar? Uau, mal posso esperar para encontrar o amor verdadeiro

Quantos % disso é drama?

Posso te contar algo que consegue ser ao mesmo tempo libertador e aterrorizante? Se você terminar com essa pessoa a sua vida não vai terminar. É verdade, a vontade de não sair da cama pode durar por alguns dias, a coragem para abrir a porta e voltar a viver uma vida normal talvez demore uns meses, é provável que seu coração leve até alguns anos para se recuperar completamente. Mas morrer, do tipo, ser enterrado e ir para o outro lado... hm, não. 

Sendo bem sincera, talvez você até precise cortar todas as formas de contato por um tempo com a pessoa em questão. Excluir das redes sociais, bloquear no WhatsApp, evitar eventos sociais onde ela possa estar. Lembra que a gente conversou sobre responsabilidade emocional consigo mesmo? Gostaria de dizer que é mais fácil do que parece, mas não sei mentir. 

Mas melhora, uma hora as coisas enfim começam andar. Acredite em mim, a vida toma um rumo mais leve, melhor. Porém, é preciso dar um passo de fé e coragem. Sim, esse passo é terminar.  

"Ah, mas eu amo!"

Você não ama, só está dependente emocionalmente. É importante entender, de uma vez por todas, que amor não machuca. Na verdade, ele ajuda a curar, nos motiva a ir para níveis melhores e maiores. Qualquer sentimento remotamente amoroso, capaz de nos destruir, causando essa sensação de aprisionamento  e confinamento é, na verdade, dependência emocional.

Em um relacionamento, acabamos nos tornando dependentes químicos do outro, por causa de todas os hormônios liberados na maneira como essa pessoa faz com o que o seu corpo se sinta. Entendeu que existe outra parte de toda essa resistência em deixar ir? É necessário desintoxicar.

Como um ralo de energia, esse relacionamento acaba gastando seu tempo e minando seu potencial, de maneiras que talvez nunca mais voltem. 

Posso te mandar a real? Relacionamentos assim nos prendem de uma maneira tão pesada, que acabamos deixando de romper em várias áreas da vida, por estarmos tendo que direcionar uma carga mental gigante para conseguir lidar com a maneira como essa pessoa nos faz sentir. 

Então, depois de tudo isso, mais uma vez eu te pergunto: Por que você não termina?

Um último tapa sem mão

Se te mostrares fraco no dia da angústia, é que a tua força é pequena.
Provérbios 24:10 

Você é muito melhor e mais forte do que pensa. Sei que esse relacionamento faz com que você duvide de si mesmo constantemente, mas está na hora de voltar a viver a sua verdadeira identidade. Um segundo de coragem para tomar a melhor decisão da sua vida.

Fica calmo, se a história de vocês realmente for para acontecer, ela só vem depois que ocorrer cura dos dois lados. Posso garantir, no tempo certo, Deus e o Universo vão fazer questão de juntar os dois, de uma maneira onde tudo vai se encaixar e ambos estarão mais bem resolvidos, maduros e evoluídos.

Agora, não dá mais para atrasar as lições que a vida ainda quer te ensinar por se manter no mesmo lugar. Você acaba se fechando para o mundo, um que nem sabe que existir, porque está ocupado demais vivendo e revivendo a mesma enrolação de sempre. Onde ela está, o que está fazendo, por que não comigo? 

Chegou a hora de acabar, dar um basta. Seu coração vai parecer que foi arrancado do peito, isso é inegável. Mas vai passar. A verdade é como uma cirurgia, dói mas cura. A mentira é como a morfina, dando alívio instantâneo mas trazendo efeitos colaterais no longo prazo. Qual você escolhe hoje?

Vai lá, você consegue. Você é forte. Você é capaz e muito melhor do que isso. Ah! E você não vai morrer sozinho, confia em mim.

Há vida após um grande amor na vida. 

A maior armadilha da vida adulta

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Dia desses estava conversando com o Daniel, meu melhor amigo há não sei quanto tempo. A gente não se via há alguns bons meses (e eu ainda acho muito louco como certas amizades podem ser assim, ficarem tanto sem conseguir se olhar nos olhos, mas sempre sabendo tudo o que acontece na vida um do outro). E sabe qual é uma das coisas que mais amo no fato de ser amiga de alguém por muito tempo? A liberdade conquistada para falar verdades inconvenientes

E toda vez que Daniel e eu nos encontramos, a gente sempre discorre sobre muitas verdades (em amor) um para o outro. Esse é um dos motivos desse cara ser uma das minhas pessoas prediletas nessa vida. 

Dessa última vez estávamos conversando sobre a maior armadilha da vida adulta, a rotina.

Você esperou a sua vida inteira por isso

Se você parar para pensar, vivemos na expectativa por ela (a vida adulta) desde que podemos nos lembrar. No primeiro ano você queria logo ir para o segundo. Chegando lá, a vontade era de chegar no sexto. Assim que se pisava nessa sala nova, já perguntávamos sobre o Ensino Médio. Nesses três anos finais, faculdade era o assunto principal. Com nosso nome na lista de aprovados no vestibular, confabulávamos sobre terminar logo essa etapa para (enfim) começar a vida oficialmente.

Na real, o tempo todo, estávamos realmente na expectativa de virar adulto e ser gente grande. Passamos a vida sonhando com todas as coisas que iríamos fazer quando esse momento chegasse, os lugares incríveis que iríamos, comprando todos os biscoitos que nossos pais não nos deixavam comprar. Como a nossa vida iria ser incrível quando a gente, enfim, fosse dono de si mesmo? 

E aí chega. Você termina a faculdade, ou então ainda está no meio dela mas já começou a trabalhar e ter suas próprias responsabilidades. Vai batendo aquela hora onde começamos a responder por nós mesmos, sem ter mais pai nem mãe para poder cuidar das mancadas, simplesmente tendo uma série de coisas que dependem inteiramente de nós. 

Muito além das suas contas, existem projetos, pessoas e sonhos que dependem de inteiramente você. E por mais que a gente ainda crie expectativas, tendo visões para o nosso futuro e lugares onde queremos chegar, somos muitas vezes sufocados e deixamos isso de lado por culpa de um único fato: a rotina

Deus abençoe os boletos

Parece que a rotina rouba toda a alegria e expectativa que tínhamos sobre ser adulto. Descobrimos que, na verdade, ser adulto não é só ir ao mercado e comprar absolutamente tudo o que você quiser, poder ficar acordado até de madrugada e voltar para casa no horário que der vontade.

Ser adulto também significa responsabilidades, rotina, acordar todos os dias em horários parecidos, ir ao mesmo lugar, provavelmente passar de seis a oito horas por dia em um mesmo ambiente com as mesmas pessoas, repetindo isso dia após dia.

E por mais que você goste do que você faz, chega uma hora onde se sente meio sufocado pela bendita da rotina. Óbvio, nas redes sociais todo mundo parece ter uma vida super livre e cool, e por mais que você até tente se posicionar assim também, lá no fundo sabe como a banda realmente toca por aí. 

Tem os seus medos também. O medo de estar dando errado, enquanto todo mundo parece estar dando tão certo. Temos a impressão de que continuamos repetitivos, fazendo as mesmas coisas, com nada indo realmente para frente. Enquanto você quer abraçar o mundo, está cheio de boletos para pagar. 

Diligência é uma ótima palavra

No café, chegamos num ponto onde começamos analisar o tanto de coisa que já perdemos (na verdade, nessa hora ele estava me dando um puxão de orelha) por ainda não sermos pessoas que sabem lidar bem com rotina (ele é ótimo com isso, só para constar)

Sabe, todo mundo ama novidades. Amamos trazer projetos novos para fora do papel e fazer a roda começar a girar, mas quando a ela começa a girar... o tédio acaba chegando muito rápido

E, para ser bem sincera, isso é algo que venho trabalhando em mim e aprendendo a mudar. E eu sei que muitas outras pessoas também sofrem com isso de alguma maneira. Começamos algo e estamos muito animados, mas acabamos não terminando porque com o tempo ele virou só mais uma outra coisa sufocada pela rotina

Quantas oportunidades e relacionamentos já perdemos? Quantos sonhos atrasamos por simplesmente não sabermos lidar com fazer a mesma coisa até que o resultado venha?

Importante lembrar que esse bendito resultado, na maioria das vezes (99% delas, segundo eu mesma), não vem no tempo que consideramos o ideal. Ele vem em um tempo próprio, o do Universo, quando Deus sabe que (a-ha, enfim!) você está preparado.

Mas, para isso, você precisa continuar fazendo a mesma coisa. 

Para onde você quer ir, afinal?

Algo que eu venho experimentando e vem transformando completamente a minha vida é o poder da rotina e constância. A energia que mora em colocar metas e prazos para você mesmo, organizando listas de coisas para se fazer e, de fato, criando uma rotina (pode ser bem divertida) para viver dentro dela.

Criar rotina dentro da minha vida é algo desafiador. Nesse momento eu sou a minha própria chefe, então é sempre um cliente, lugar e projeto novo. Mas, mesmo assim, essa querida é necessária. Sem criar uma, eu não consigo olhar pra o meus objetivos de vida e saber que estou no caminho certo para fazer com que eles aconteçam

Podemos fazer um milhão de coisas ao mesmo tempo e não sairmos do lugar, se simplesmente não soubermos para onde queremos ir. Então, eu acho que para você (e para mim também), conseguir manter uma rotina é a chave para entender que a vida de adulto não matou os seus sonhos.  

Growing up won't bring us down (bônus musical)

Crescer é incrível mas a gente precisa aprender que, antes de mais nada, é preciso traçar um objetivo maior para que isso tudo tenha sentido. É necessário traçar um lugar onde você quer chegar. Além disso, a sua rotina, o que você faz todo dia, mesmo que de vez em quando pareça tedioso, precisa estar alinhada com onde se quer chegar. 

Sabe, essas ações diárias repetitivas precisam mesmo estarem ligadas com algo maior. Todo dia é um passinho (mesmo que seja de formiga) mais perto de onde você quer ir. 

Então, está na hora da gente comemorar o fato de ser adulto e viver verdadeiramente feliz, já que sonhamos a vida inteira com esse momento. Rejeite a armadilha de achar que você não está indo para lugar nenhum e que seus sonhos morreram por aqui mesmo.

Ainda há muito para se viver, mas você precisa descobrir onde você quer chegar e quem quer ser nessa vida.

Rotina pode ser ótimo. 

Uma vida onde nada nunca dá errado

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Eu me lembro perfeitamente do momento onde decidi que nada, nunca mais, daria errado na minha vida. Eu deveria ter uns dezoito anos e estava me arrumando para sair, indo comer em algum lugar com a minha família. Não lembro quem (porque sim, foram muitos) dos meus ex tinha me traído (porque sim, foram várias as vezes), mas eu acabava de descobrir e aceitar o fim do "relacionamento"

Estava chorando na cama, quando percebi que precisava terminar de escolher a minha roupa da noite. Me encontrava bem na casa daquele meu quarto que saiu na Capricho (e por onde vários de vocês me conheceram!) e de frente para os quadros do Elvis lembrei de algo que havia lido alguns dias antes. Respirei fundo e disse (acreditando) pela primeira vez: "Todas as coisas estão trabalhando juntas para o meu bem. Nada nunca dá errado. Só coopera para o meu bem".

Repeti algumas vezes, sequei as lágrimas, retoquei a maquiagem e segui a programação da noite. Desde então, a minha vida nunca mais foi a mesma.

No que você acredita?

Pois sabemos que todas as coisas trabalham juntas para o bem (...)
— Romanos 8:28

Caso você esteja se perguntando, foi justamente esse texto do qual eu me lembrei. Já havia lido outras vezes, recitado em voz alta umas tantas outras. Mas naquele momento, por um motivo que talvez eu nunca venha entender, ele se tornou extremamente claro. Como se nada nunca tivesse feito tanto sentido e batido tão forte dentro de mim. Desde então é a minha filosofia de vida. Mesmo. 

Para qualquer coisa que aconteça, boa ou ruim, planejada ou inesperada, de fazer rir ou de fazer chorar... Eu sei que de alguma maneira está trabalhando para o meu bem

Propósito é um negócio doido

Eu não consigo encontrar palavras para descrever como essa certeza tirou um peso das minhas costas. Posso chorar, sentir a dor e passar algum tempo realmente mal. Mas, lá no fundo, eu sei que aquilo não é o fim do mundo

A certeza de que todas as situações estão, de alguma forma, te moldando para o que realmente está destinado para você é libertadora. É preciso aceitar que isso só funciona se você tem a a convicção de quem um ser superior está cuidando de você. E que a sua presença aqui na Terra vai muito além de apenas apenas existir

E caso você ainda tenha dúvidas, deixa eu te contar umas coisinhas: você nasceu com um propósito. Existe uma vida muito maior e cheia de experiências quando se entende que você carrega uma mensagem única, capaz de fazer do mundo um lugar melhor.

Pode ser a maneira como você ouve as pessoas e sempre tem um bom conselho, ou como o seu abraço traz mais conforto do que qualquer bolo de chocolate. Pode ser mostrar para quem já tinha desistido de sonhar um pouco da sua história, recuperando o ânimo para continuar

Prometo que no futuro vamos conversar mais sobre propósito e, principalmente, como descobrir o seu. 

Mas enquanto isso, quero deixar claro que você não precisa largar tudo para viver o seu propósito. É verdade que, a partir do momento onde o descobrimos, a nossa vida começa a sofrer alguns ajustes. Tudo o que não é verdadeiramente você ou te tira do foco para o qual foi criado, é cortado e deixado de lado.

E entender isso de forma clara é a chave para viver completamente o "todas as coisas estão trabalhando para o meu bem", percebendo que nada nunca dá errado nessa jornada, as coisas simplesmente te puxam para mais perto de quem você foi criado para ser. 

A grande epifania

Então, eu sei que viver confiando nessas palavras pode não ser tão simples para todo mundo como se tornou para mim por culpa dessa epifania radicalmente louca no meio de um término, mas eu quero te encorajar a começar olhar para todos os eventos da sua vida de uma maneira diferente. A partir de hoje. 

Pensa em como aquele amigo te decepcionando abriu portas para amizades que te acrescentaram de maneiras inimagináveis. Como ter mudado de curso na faculdade fez com que você se descobrisse completamente apaixonado pelo o que faz hoje. Como a mudança de cidade te fez mais forte. Como o fim do seu último namoro fez você, enfim, entender o seu valor

É obvio que esse tipo de coisa produz sofrimento, cicatrizes, marcas que insistem em ficar. Mas se entendemos que isso faz com que a gente se torne mais evoluído dentro da jornada de viver o nosso propósito, as coisas mudam (completamente) de cara.

Meu maior exemplo é esse blog, os blogs anteriores e tudo o que posto e converso com quem vem me pedir conselho. Tudo o que trouxe dor para minha vida, é usado como exemplo, aprendizado e histórias que tornam palpáveis a certeza de que a gente pode melhorar e seguir em frente. A certeza de que todas as coisas realmente estão trabalhando para o nosso bem. 

Você nasceu para dar certo. Sua vida tá cheia de aprendizados. Rejeite a mentira de que as coisas andam dando errado.

Escolha mudar de perspectiva: tudo está constantemente trabalhando para o seu bem. 

65% do seu sofrimento é culpa de uma única pessoa

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Esse texto começou em Londres, enquanto estava tomando café e preparando a apresentação final para um curso de marketing digital. Uma das meninas no grupo comentou um termo que ficou na minha cabeça durante os dias seguintes: responsabilidade emocional

Cheguei em casa, li alguns artigos sobre o assunto e tudo fez muito sentido. Citando um dos textos mais conhecidos sobre, a expressão pode ser descrita da seguinte maneira: 

Responsabilidade Emocional é se você tá se envolvendo com alguém, mesmo que seja só sexo, pegue pra si a responsabilidade de não fazê-la sofrer, não seja babaca, não suma, não assuma coisas que não foram ditas. Converse e aja com honestidade.

O desenvolvimento final dele veio algumas semanas depois, quando deixei de ir em uma super festa porque ela me lembrava alguém que foi bem importante, mas destruiu meu emocional num nível surreal. Sabia como as pessoas, cheiros e conversas que rondariam o ambiente me fariam mal. Mesmo tendo a clara noção de tudo que eu "perderia" por não ir, tive certeza de que a minha saúde emocional era mais importante. 

Juntando as duas coisas, comecei perceber algo: a gente está aprendendo a ter responsabilidade emocional com os outros, mas quando é para ser responsável com as nossas próprias emoções... como é que fica? 

A gente sabe ser babaca quando quer

Pensa comigo, como você se sentiria em um relacionamento onde o outro te faz passar por situações extremamente estressantes (sendo que a maioria delas poderia ter sido evitada), fazendo com que se questione o seu valor o tempo inteiro; expondo suas fragilidades de forma constante, criando um ambiente de bastante dor, cheio de teorias baseadas no quanto você realmente nem é tão bom assim?

Minha primeira reação seria pensar: Meu Deus, que babaca. Preciso me livrar desse ser humano imediatamente, ele só tá sendo tóxico e atrasando minha vida!

Pois é, querido leitor, muitas vezes nós mesmos somos essa pessoa em nossas vidas. Olha que demais! Quem diria que temos tanto potencial, hein? 

Quantas vezes você já se pegou entrando em relacionamentos onde sabia que iria sofrer? Quantas outras se colocou em situações onde, desde o início, tinha a plena consciência da capacidade contida ali para trazer suas maiores inseguranças e casos mal resolvidos à tona? Quantas vezes continuou falando com pessoas que faziam com que você nunca se sentisse bom o suficiente? Quantas vezes aceitou uma proposta, mesmo sabendo que ela detonaria com o seu senso de valor próprio?

Posso responder por mim? Muitas. Inúmeras. Incontáveis. Perco de vista. É só por aqui, ou por aí você também já foi culpado de alguma dessas atitudes? 

Como pode um homem reclamar quando é punido por suas próprias decisões?

Não é só o relacionamento que cultivamos com o outro que deve ser tratado de forma que venha crescer na base do respeito, responsabilidade e cuidado. A gente precisa começar a ter respeito, responsabilidade e cuidado em primeira pessoa. Você pode estar sendo o maior babaca da sua vida no momento.

Um dos meus coaches prediletos, Tiago Brunet, diz que mais de 65% dos nossos problemas são causados pelas nossas próprias ações e palavras. SESSENTA E CINCO POR CENTO! Mais da metade dos nossos problemas tem uma única fonte: nós mesmos

A gente se desrespeita muito. Se coloca em situações completamente desnecessárias, muitas vezes sem nem perceber. Sofremos por decisões próprias, mas viramos especialistas em colocar a culpa no outro.

É obvio que existem momentos onde a nossa dor tem início numa terceira pessoa, mas na maioria das vezes (65% delas, bom lembrar) somos os próprios causadores. Pura irresponsabilidade emocional.

Ao meu ver, precisamos puxar para gente essa tarefa de começar a cuidar melhor de si mesmo. Vamos ter que conviver conosco pela eternidade, de maneira ininterrupta. É melhor fazer com que esse relacionamento seja incrível

Farinha pouca meu pirão primeiro

Adaptando um pouco o texto citado no primeiro parágrafo, ter responsabilidade emocional consigo mesmo é basicamente o seguinte: não se faça sofrer, não seja um babaca com você mesmo, não assuma coisas que nem se quer foram ditas. Faça auto análises e seja honesto consigo. 

Trocando em miúdos e transcrevendo esse texto do sempre didático e querido A Mente é Maravilhosa:

A responsabilidade emocional por si mesmo envolve assumir o comando da situação, não só dos comportamentos que levamos adiante, mas também daquilo que pensamos e sentimos. Em suma, de nossa existência. 

Deu para entender? A gente precisa parar de se colocar (e aceitar estar) em situações que nos fazem mal. Não podemos confundir força e coragem com irresponsabilidade emocional.

Se você ainda não se sente preparado para falar com alguém, ir em algum lugar ou voltar a fazer certa atividade... se respeite! Não force. Ir além no momento errado pode gerar consequências muito mais complicadas de lidar do que o sentimento que já está sendo tratado. 

Não tem problema nenhum colocar a sua saúde mental em primeiro lugar. Mesmo que para isso você precise tomar medidas drásticas, muitas das quais as pessoas envolvidas não vão entender.

bloquei no WhatsApp, excluí no Facebook, deixei de frequentar lugares e manter amizades relacionadas. Por ser boba e imatura? De maneira nenhuma. Mas por me respeitar e saber onde estou dentro do processo de cura em certas emoções e situações. 

Essas atitudes vão permanecer pelo restante da minha vida? Talvez sim, talvez não. Pode ser que, em algum momento, eu me sinta confortável de voltar a falar com alguém, ou frequentar certos lugares e ouvir determinada música. Se rolar, que bom! E se não rolar, tudo bem também. Em ambos os casos vou estar sendo responsável emocionalmente comigo mesma. 

Existe um momento nessa jornada onde a gente precisa peitar as decisões relacionadas ao nosso bem estar emocional. E isso, de maneira nenhuma, é ser egoísta.

Na verdade, é se conhecer muito bem, sabendo exatamente quais são os gatilhos capazes de te derrubar. É melhor ter alguém emburrado comigo, do que ficar dias chorando sem sair da cama por culpa da bendita pessoa. Essa fase já passou, né? 

E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará

A chave para não ser mais um carrasco com você mesmo? Auto conhecimento. 

Mais uma vez eu enfatizo: se for possível, faça terapia. Ter um profissional como parceiro na jornada de desvendar e entender sua alma possui um valor inestimável.

Se não for possível (e até se você faz terapia, esse é um ótimo exercício contínuo), faça auto análise. Questione o motivo de sentir o que sente e fazer o que faz. Passe bastante tempo sozinho, refletindo sobre seus medos, decisões, sonhos, escolhas. Leia tudo o que puder sobre auto conhecimento e as questões específicas que te cercam. Se torne um eterno estudioso de você mesmo. 

Essa é a única maneira de entender seus limites e perceber quais seus gatilhos. Além disso, quando passamos tempo nos conhecendo descobrimos nuances que fazem com que nos tornemos apaixonados (de um jeito bom) por nós mesmos. A partir daí começamos a enxergar o nosso valor e depois disso fica extremamente difícil ficar por perto de quem não é capaz de ver o mesmo. O que eu acho ótimo. 

Faça uma limpeza na sua vida, sem medo de deixar para trás coisas, situações e pessoas com as quais já estava acostumado. A sua saúde emocional é MUITO mais importante do que tudo isso. A verdadeira liberdade é conquistada abrindo mão das algemas que aprendemos a usar diariamente. 

Chega de ser babaca com você mesmo. Vamos levar esse relacionamento para um outro nível?

Como ser bem sucedido, rico e casado aos 20

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Há algumas semanas atrás eu estava jantando na casa de uma amiga que acabou de se casar, ela tem 21 anos de idade. O relacionamento deles estampa uma das minhas histórias de amor prediletas (tanto que fui madrinha na cerimônia!) e, em resumo, os dois namoraram/noivaram/casaram em mais ou menos um ano. Em determinado ponto do jantar, brincamos sobre como algumas pessoas com as quais eu compartilhava a história dos dois (sou muito fã, realmente vivo comentando sobre) ouviam com atenção e declaravam: "Eu quero e vou namorar/noivar/casar em um ano!".  

O problema é que a maioria dessas pessoas não tem a estrutura financeira que esses meus amigos tinham. Muito menos a emocional. Comentei como me preocupava o fato de que a maioria de nós está tão preocupado com o achar-o-grande-amor-da-vida-e-casar, que não faz ideia das consequências que uma versão express dessa decisão podem causar.

Também começamos a lembrar de vários outros amigos e seus relacionamentos; alguns namoraram durante sete anos para depois casar, ou então namoraram dois, três, cinco até se sentirem preparados para essa decisão. Fomos percebendo como as pessoas e suas rotas de vida são diferentes mas, ao mesmo tempo, nos cobramos para ter uma performance igual ou superior.

Exceção não é regra (repita comigo 10x seguidas)

Um pouco mais cedo, nesse mesmo dia, estava tomando açaí com uma outra amiga. Conversávamos sobre como é louca essa pressão (muitas vezes interna) para "dar certo" aos vinte anos de idade. Ela me descrevia a maneira com a qual se sentia pressionada e incomodada pelo fato de ainda não ser super rica, chefe e reconhecida profissionalmente. Fato importante: ela tem 23 anos e seis meses de formada na faculdade. 

Ao meu ver, é extremamente cruel a maneira com a qual encaramos as excessões (que acho incríveis mas, ainda assim, excessões) de quem "deu certo" ainda estando na casa dos vinte, achando um grande amor e enriquecendo com o que ama; como um espelho pelo qual devemos nos medir. 

A ideia de que nossas jornadas podem (e vão) divergir umas das outras e que em nenhum momento precisamos nos depreciar ou cogitar que somos menos por causa disso acaba passando longe da maneira como estruturamos nossos pensamentos

Também somos ótimos em situações como: 

- Fulano emagreceu 10kg em três meses e eu não consigo emagrecer nem 100g

- Minha prima saiu da faculdade e logo conseguiu um emprego incrível, está ganhando um 10.000 por mês

- Tenho uma conhecida que fez intercâmbio e ficou por lá porque encontrou um americano e eles estão casados, com filhos, felizes e postam fotos bonitinhas no Instagram

Os padrões ferraram com a gente

Fomos educados a nos compararmos com padrões pré estabelecidos, a maioria deles irreal e bastante idealizada. Aqui não vou nem começar a entrar no mérito de como as redes sociais fazem uma edição bizarra na dinâmica da vida, então por enquanto vamos todos focar nesse ponto: somos pessoas diferentes, com histórias compostas com questões extremamente diversificadas e que por isso acabam vivendo realidades completamente diversas

Querer aplicar uma fórmula da vida perfeita que aparentemente deu certo, na certeza de que isso é capaz de servir todo mundo, é o segredo para se sentir constantemente frustrado. 

Essas pessoas não tiveram a mesma criação, oportunidades e referências que você. Vocês nem tem o mesmo metabolismo ou tipo físico! Mas em nenhum momento você se torna menos por isso. A sua trajetória não te fez menor do que ninguém.  

Ah... a grama do vizinho

Precisamos começar a fazer esse exercício de reconhecer e celebrar nossas diferenças, não só na aparência, mas inclusive na maneira de enxergar e vivenciar o mundo. Também comemorar tudo o que já conquistamos, mesmo enquanto estamos fazendo planos para o futuro. 

Faça o exercício de pensar em quem você era e como estava há cinco anos atrás, comparando com a pessoa que enxerga hoje. Olha quantas coisas aconteceram, como diversos caminhos que antes eram impensáveis foram desenvolvidos. 

Precisamos ter mais graça na maneira como lidamos com nós mesmos. Aprendemos a nos depreciar de maneira constante, achando que nunca nada está suficientemente bom. As conquistas perdem seu brilho rapidamente, a euforia de gratidão só dura o tempo das interações na postagem onde comunicamos a vitória. 

Somos ótimos em observar como a grama do vizinho é mais verde. Mas talvez nem o vizinho ache que a grama dele é tão verde assim. Aliás, já parou para pensar como a terra do vizinho é completamente diferente da sua, o que fez com que ele conseguisse aquela coloração na grama de maneira muito específica, usando produtos para aquele tipo de terra; aquelas ferramentas só tem o resultado percebido ali pelo tipo de terra que é exclusividade do seu vizinho. Mas como a SUA terra é completamente diferente, mesmo seguindo os mesmos passos, seus resultados não vão ser os mesmos. 

Sua grama não vai ficar verde se você usar os mesmos produtos da casa ao lado. A grande descoberta é encontrar como a sua terra funciona e abraçar esse processo (importante falar que não sei nada sobre jardinagem, então pode ser que esse paralelo não faça muito sentido. Mas vamos fingir que faz). 

Afinal, como dar certo na vida?

A gente tem muito poder dentro de nós e muitas vezes isso fica preso porque queremos usar o poder que enxergamos no outro.

Comece a encontrar o caminho para desencadear o poder que existe dentro de você, com a sua própria força interna, respeitando o seu tempo e evolução. Celebre os pequenos começos e conquistas, as grandes também! Mas não se cobre para ter a sua vida inteira resolvida aos vinte e poucos anos. Tá bom? De verdade.

O conceito de "dar certo" é extremamente abstrato. Enquanto para você pode significar ganhar 10K por mês, trabalhando em uma multinacional e ir para Europa 2 vezes por ano, para mim pode significar algo completamente diferente.

A mesma coisa para toda essa história de casar e ser rico aos 20, são padrões pré estabelecidos. Mesmo que representem conquistas importantes na vida adulta, por si só não trazem felicidade. Perseguir isso desenfreadamente, achando que você só vai ser completo ao ter esse par de coisas, é o caminho para uma existência que sempre parece vazia. 

Já parou para pensar que, aos seus olhos, eu posso estar dando certo, mas eu mesma não consigo ter essa percepção (inclusive, estou escrevendo sobre esse ponto para publicar logo mais, então no futuro a gente troca mais ideia sobre)? 

Descubra o que REALMENTE te faz feliz e de que maneira VOCÊ quer viver a sua vida. Vá além de padrões de conquistas estabelecidos pelos os outros, siga os seus próprios. 

Uma coisa é certa e inegável: você nasceu para dar certo mas esse "dar certo" é um processo e acontece em termos diferentes para cada pessoa, em tempos diferentes para cada um.

Tenha paciência e graça com você e sua jornada.

Perdoar é extremamente injusto

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Acho um tanto quanto engraçadas e curiosas algumas das definições da palavra "perdão" no dicionário. As primeiras descrições não são acompanhadas de muitas surpresas. "Absolver pena, dívida, ofensa", super ok. Mas o último ponto da longa de lista de explicações sobre o que significa perdoar, me deixou um tanto quanto desnorteada, parecia não fazer sentido: "Evitar trabalho, esforço etc. a si mesmo; poupar-se"

Depois de analisar por um bom tempo todas as palavras da frase, comecei a refletir sobre um trecho polêmico de um dos meus livros prediletos (Maravilhosa Graça, do Philip Yancey. Qualquer um que quer entender mais sobre perdão (e ser perdoado) + ama referências de filosofia, teatro, música, cinema e história vai amar loucamente esse livro - sem exageros ou drama nessa recomendação): 

O perdão pode ser injusto - e ele é, por definição -, mas pelo menos fornece um meio de interromper a dedicação cega da retribuição.
— Philip Yancey

O perdão não funciona no mundo real

Perdoar não é um ato natural. E não, essa não é uma afirmação hiperbólica. É inegável admitir que vivemos na lei da selva, aqui se faz, aqui se paga - vence o mais forte. Então, aprendemos que se alguém é mal com você, essa pessoa deve pagar por isso. 

É só pararmos para ver o tanto de ditados populares que seguem justamente essa linha de "você vai pagar exatamente pelo o que fez":  Tudo o que vai, volta. Tomou, levou. Quem diz o que quer, ouve o que não quer

Deixando bem claro, eu não tenho dúvidas de que todos nós pagamos pelas consequências de absolutamente cada uma das nossas ações, porque o Universo (e as suas leis) não deixa nada escapar. 

Mas, ao meu ver, estamos deixando essa mentalidade roubar uma boa parte da leveza na nossa vida. Já reparou que quando alguém nos magoa fazendo algo capaz de nos deixar tristes ou chateados, queremos ajudar o próprio Universo a fazer essa pessoa pagar?

Ao pensar no bendito ser humano, temos profundos sentimentos de raiva, ódio e uma vontade inegável de que ela seja triste e tenha uma vida menos feliz do que a nossa (ver esse querido sofrendo um pouquinho não parece nada mal, certo?). Queremos desesperadamente um acerto de contas, onde estaremos por cima e eles sempre alguns degraus abaixo. 

O veneno escondido na falta de perdão

A vingança é uma paixão de acerto de contas. É um desejo ardente de devolver tanto sofrimento quanto o que alguém lhe infligiu. [...] O problema da vingança é que ela nunca alcança o que deseja; nunca chegará ao empate. A justiça nunca acontece. A reação em cadeia iniciada por cada ato de vingança sempre segue seu curso desimpedida. Ela aprisiona ambos, o injuriado e o injuriador, a uma escada rolante de sofrimento. Ambos são impedidos de prosseguir na escada quando se exige paridade, e a escada não para nunca, nunca deixa ninguém descer.
— Lewis Smedes

Eu costumo dizer que não perdoar alguém é tomar veneno esperando que o outro morra. E é aí que entra o motivo de, para mim,  aquela última definição do dicionário ter se tornado tão clara: perdoar é evitar trabalho e esforço de si mesmo.

Quando estamos gastando tempo e energia retendo perdão e não liberando essa pessoa do nosso coração e mente, estamos nos contaminando com pensamentos e sentimentos negativos toda vez que pensamos a respeito do sujeito. O que cria aquela sensação de que tá tudo bem, mas algo tá estranho (ela é mais comum do que você imagina). 

Perdoar não é nada fácil e em nenhum momento desse texto quero negar essa verdade. Não é algo que acontece de forma orgânica, principalmente dentro do modelo de sociedade no qual todos nós vivemos. 

Na verdade, perdoar é um processo que começa com uma decisão. A decisão de deixar a pessoa ir. Criando uma resolução clara de ao pensar nela, de simplesmente dizermos: "eu te deixo ir, eu te perdoo". Indo contra o costume de se entregar a uma enxurrada de pensamentos ruins sobre como ela errou com você. Aceite que passou (mesmo que ainda sinta dores). 

Enquanto isso não acontecer, teremos todos aqueles sentimentos ruins, provocados pela pessoa, constantemente reavivados ao pensarmos nela, vermos uma postagem, esbarramos sem querer na rua. Um constante mal estar que toma conta de todo o seu corpo, capaz de começar ao som de um único nome (você sabe qual). 

Perdoar é a decisão mais difícil e injusta que existe

Então ela vai escapar? Bom, ninguém escapa de nada. Tudo gera consequências. Perdoar não é aprovar o que foi feito, mas simplesmente confiar que Deus/Universo vai cuidar de tudo e não é seu papel fazer justiça com as próprias mãos. 

Perdoar também não cria um relacionamento, você só aceita deixar de ser consumido pela dor e raiva que vem deixando sua capacidade de amar extremamente prejudicada, minando seu potencial em absolutamente todas as áreas da vida. 

Se você não viu A Cabana, preciso avisar que estou prestes a dar um mega spoiler (e se você ainda quer ver A Cabana sem spoilers, pode pular essa parte).

[SPOILER] Em um determinado momento do filme, o pai da menininha que morreu precisa perdoar o assassino da filha. Então ele vira para o Pappa (que no caso é Deus) e fala: "Eu disse que eu perdoo, mas eu ainda sinto raiva". O Pappa explica que isso é normal, ninguém consegue se curar do sentimento instantaneamente, quando você perdoa alguém você simplesmente solta o pescoço dela, mas talvez precise falar "eu te perdoo" mil vezes antes de ficar mais fácil. A única coisa certa é que vai ficar mais fácil. [/SPOILER]

E é exatamente isso. Quando eu decido perdoar alguém, eu decido liberar essa pessoa, mas a maneira como ela me faz sentir não vai simplesmente embora. Preciso assumir o compromisso de repetir para mim mesmo, sempre que a pessoa passar pela minha cabeça: "eu perdoo você, eu perdoo você"

Mesmo com todas as minhas explicações, é bem possível que você ainda ache isso tudo muito injusto, já que essa pessoa simplesmente não merece ser perdoada. Mas, abraçando as palavras do meu amado Philip Yancey: PERDOAR É INJUSTO. 

É muito melhor ser feliz do que ter razão. Além do mais, enquanto não liberamos alguém através do perdão, ela está constantemente presente na nossa vida, mesmo que vocês já não se falem mais. Já que suas energias estão inquestionavelmente focadas nela. 

Essa questão de perdoar não é de maneira nenhuma uma coisa simples. [...] Dizemos: ‘Muito bem, se o outro se arrepender e pedir meu perdão, eu perdoarei, eu desistirei’. Fazemos do perdão uma lei de reciprocidade. E isso não funciona nunca. Porque ambos dizemos a nós mesmos: ‘O outro tem de tomar a iniciativa’. Daí, fico observando como um gavião para ver se o outro vai sinalizar-me com os olhos ou se posso detectar alguma pequena indicação nas entrelinhas que demonstre que está arrependido. Estou sempre pronto a perdoar...mas nunca perdoo. Sou justo demais.
— THIELICKE, Helmut. Waiting, cit., p.112

Aceita que dói menos

Então, perdoe. Aceita que o perdão é algo que precisa ser implementado na nossa vida como uma prática diária. É um processo para o qual precisamos nos entregar.

Ao entrarmos nesse processo de perdoar, liberar pessoas e não ficarmos mais nutrindo ódio ou sentimentos ruins por ninguém, nos tornamos pessoas mais leves e felizes com a nossa vida. Adotando uma visão muito melhor e mais clara do mundo, já que aceitamos que as pessoas vão errar e causar decepções. 

Perdoar não é esquecer o que aconteceu. Mas é dar um passo para que, no futuro, você possa olhar para cicatriz do machucado que alguém fez e aquilo não doa mais

Tome um passo (corajoso) para uma jeito de viver mais leve, simples; recheado de amor e reciprocidade do mesmo. Quando você passa a ser melhor em perdoar pessoas, se torna melhor no auto perdão. Aquele história de ter graça com a gente mesmo.

Além do mais, quando tiramos alguém do nosso coração, do espaço morto que só nos faz mal ocupado por ela, abrimos espaço para receber novas pessoas e bons sentimentos. o lugar antes ocupado por tristeza ódio e rancor, se torna livre e limpo para receber (ótimas) novidades.

Então, decida liberar pessoas hoje. Perdoe mesmo parecendo injusto. Você merece uma vida mais leve e feliz.

O amor não é o que você aprendeu

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Mesmo que você ainda não tenha descoberto completamente no que acredita, existem alguns fatos que são inegáveis. A Terra é redonda, sem oxigênio não existe vida, Kardashians são a nova monarquia mundial e as leis do universo existem. 

Se você nunca ouviu falar sobre leis do universo, senta aqui, vamos conversar. Você pode achar isso tudo muito doido, ou muito esclarecedor; de qualquer forma te peço que abra seu coração para o que vou contar. 

As leis do universo formam um sistema eterno que rege o universo (essa definição foi bem prolixa) e as consequências de todas as ações praticadas. Elas não estão escritas em lugar algum, nem pertencem a nenhuma religião específica (embora algumas pessoas gostem de chama-las de princípios bíblicos). Simplesmente estão em prática desde que o mundo é mundo. São tão sérias que ciências como física quântica e metafísica tem linhas de estudo específicas sobre o assunto. 

Já viu aquelas experiências com as palavras positivas e negativas, ou a chamada "lei da atração", por exemplo? Então, leis do universo. Mesmo que você seja cético quanto à isso, elas continuam agindo na sua vida. Não tem como fugir. 

Dito isso, eu venho sendo muito confrontada por uma delas, justamente a primeira lição que me ensinaram na vida: 

Ame o seu próximo como a si mesmo
Marcos 12:31 

Preciso ser sincera e contar que com o tempo me tornei realmente boa nisso (amar ao próximo)! Já falei algumas vezes sobre como encontro um propósito gigante no ajudar pessoas e como é impossível enxergar alguma versão da minha vida onde me sinto completamente feliz e completa se não estiver contribuindo para que alguém seja melhor de alguma maneira. 

No geral, todos nós nos importamos com as pessoas ao nosso redor (se você tem dificuldades em sentir que ama as pessoas, fica calmo que logo chegamos aí). Ao menos com as pessoas realmente próximas. Melhores amigos e família, no mínimo. Deixar essas pessoas felizes, fazendo com que elas se sintam amadas e especiais é um desejo natural. E bem saudável! Estamos amando o próximo e seguindo essa lei do universo, ótimo! Certo?

O maior erro no "amar ao próximo"

Errado. Bom, no meu caso era errado. Mesmo passando a vida estando constantemente pensando em maneiras de levar amor ao próximo, eu estava interpretando esse texto de maneira errada. Se formos analisar a frase, existe uma certa linha de proporcionalidade nela. "Amar ao próximo como a si mesmo", entenderam o que eu quero dizer? 

É como se fosse assim: se você se ama 50%, é capaz de amar ao próximo à 50%; se você se ama 100%, é capaz de amor ao próximo à 100%; se você se ama 10%, é capaz de amor ao próximo à 10%. É sempre essa linha de proporcionalidade. A lei age em uma medida de proporção. 

Então, como é possível amar ao próximo quando a gente não se ama? 

Refletindo e passando algumas tantas horas rolando na cama sem sono, percebi que muita gente (incluindo eu) sofre dessa questão em algum grau. Mesmo que você não tenha uma repulsa completa por si mesmo, é meio impossível encontrar alguém que se ame completamente. Então, se a gente não se ama completamente e o amor funciona numa linha de proporção, quer dizer que não estamos conseguindo amar as pessoas por completo. 

Pois é, estamos amando errado. 

Tentando entender melhor a maneira como eu e o mundo experienciamos esse sentimento tão comentado, podemos chegar em dois grupos gerais: os indisponíveis emocionalmente e os dependentes emocionalmente.

Você pode não se encaixar completamente em um deles, mas todos nós (T-O-D-O-S) temos ao menos nuances de algum. 

Quem são os indisponíveis emocionalmente? 

É importante falar que eu não me encaixo nesse grupo. Então, as observações aqui feitas vem da convivência com pessoas indisponíveis emocionalmente, conversas com psicólogos, muitos artigos lidos e observação de relacionamentos onde uma das partes era definida dessa maneira. Então, se você é ou conhece alguém que é indisponível emocional, por favor, fale mais sobre isso nos comentários

Alguém indisponível emocionalmente tem grandes dificuldades em criar conexões genuínas com as pessoas e realmente sentir amor por elas. Não apenas aquele amor romântico, mas também o que sentimos pelos nossos pais e amigos. Aquilo que faz com que nos importemos de forma legítima com alguém. 

Estando nessa definição, é possível que você seja bem egoísta com seu tempo e prioridades, sempre colocando sua felicidade e conforto acima das pessoas com que se relaciona. Sabe quando sua amiga está há meses te convidando para a super festa de aniversário dela e você decide não ir de última hora, não vendo o mínimo problema nisso (e achando um drama enorme ela ter ficado chateada)? 

Ela também se sente sufocada ao se comprometer em relacionamentos, principalmente por achar sentimentos (e falar sobre eles) desconfortáveis. Para ela não faz sentido quando alguém comenta que chorou dias por causa de um amor não correspondido. Faz muito menos sentido saber que alguém chorou dias por ela. Por não criar sentimentos muito profundos por ninguém, sente extrema dificuldade em entender os sentimentos que as pessoas criam. 

Dizer "eu te amo" é algo bem difícil, mesmo que seja desejado. 

Não devemos enxergar quem faz parte desse grupo como vilões. Existem diversas situações que fizeram com que essa dificuldade fosse criada (se vocês quiserem, podemos conversar mais sobre isso em outro post), não se faz por falta de sensibilidade ou maldade

Mas a grande bomba nessa história é que se você sente que tem problemas em amar ao próximo e cultivar amor genuíno pelas pessoas, provavelmente você não se ama.

Entendo que nesse momento sua cabeça deve estar assim: “Não, mas é claro que eu me amo! Eu me valorizo, eu valorizo a minha companhia, eu me dou prioridade”

Vem cá… você realmente AMA a pessoa que é? Realmente AMA quem é por dentro? Realmente AMA a sua alma? Você realmente consegue olhar no espelho, no espelho de dentro, não no de fora, e ficar feliz com o que vê? Talvez essas atitudes que vem classificando como amor próprio, na verdade são uma máscara de egoísmo usada para se proteger de qualquer pessoa ou situação que possa vir te machucar (ou que você não entenda muito bem). 

Muitas vezes temos vergonha de quem somos por dentro. E a gente não admite essa vergonha nem para si mesmo, então essa confissão acaba sendo ouvida só pelo seu travesseiro nas madrugadas de insônia existencial. E isso atrapalha em tudo. Refletindo diretamente na forma como não consegue se entregar nos relacionamentos, no nunca sentir que está realmente sentindo algo por alguém.

Você só está seguindo a linha de proporção. O "amar ao próximo" é completamente bloqueado na sua vida por não conseguir seguir a segunda parte da frase. Por ainda não conseguir se amar num nível saudável, um rio de amor e fluidez é bloqueado antes mesmo de ter a chance de nascer. 

Quem são os dependentes emocionais? 

Os dependentes emocionais são praticamente o oposto dos indisponíveis emocionais. Quem faz parte desse grupo é inseguro e sente que nunca é bom o suficiente. Por causa disso, a aprovação dos outros é extremamente importante. Principalmente se essa pessoa representa uma figura de autoridade na vida dela. 

Dependentes emocionais oferecem ajuda mesmo quando sabem que não podem segurar a barra, tudo porque sentem essa constante obrigação/necessidade de estar agradando as pessoas. Já deu para perceber que rola uma dificuldade absurda de reconhecer o próprio valor aqui, né? É por isso que os dependentes emocionais estão mais suscetíveis a viverem um relacionamento abusivo

Essa galera se doa e ama ao próximo mas, mesmo assim, não se ama

Agora você deve estar assim: “Nossa, Isabelle, está se contradizendo! Nos parágrafos acima falou que se eu consigo amar ao próximo e fazer essas coisas por ele, significa que eu também consigo fazer isso por mim - certo?” Errado... você está agindo com motivações deturpadas.

Quando não conseguimos nos amar (e nos identificamos em algum nível com a dependência emocional), estamos usando o cuidado e o carinho com o próximo como uma forma de aceitação de nós mesmos. 

A aceitação dos outros faz com que você tenha uma falsa sensação de aceitação própria; a admiração dos outros faz com que você tenha uma falsa sensação de admiração própria e assim por diante. Fazemos a coisa certa pelos motivos errados. 

A pior parte é que toda essa doação aos outros em teoria deveria trazer preenchimento, mas só trás mais escassez e o vazio aqui dentro continua aumentando. 

Ah! Não vamos cometer o erro de enxergar o dependente como mocinho da história. Nessa sede por aceitação, muita vezes nos tornamos pessoas controladoras e manipuladoras. Não somos santinhos. 

Mais uma vez, a linha de proporção age. O amor que passamos adiante não é puro. 

A droga do amor

Entendemos o amor errado. Por estarmos quebrando essa lei de proporcionalidade, não estamos tendo relacionamentos que carregam plenitude em si. Na verdade, a maioria deles nos deixa com uma sensação gigante de vazio, justamente porque procuramos algo que está faltando muito na gente. Tentando encontrar isso na outra parte, a frustração é gigante ao não receber o nosso desejo de volta. 

Tornamos a parte do "primeiro preciso ser feliz comigo" mais um clichê não seguido. Estamos juntos, nos sentindo sozinhos. Nosso estoque base de amor está praticamente vazio e o pouco que resta por lá anda bem contaminado. 

Desde que toda essa avalanche de informação e auto análise começou acontecer na minha vida, venho fazendo uma oração: que Deus alinhe as motivações do meu coração e torne claras as razões pelas quais eu faço as coisas que faço. 

Não quero mais viver de um lugar onde todas as minhas ações são minimamente calculadas para que eu seja aceita. Na verdade, estou lutando para que eu possa fazer tudo de um lugar onde já me sinto suficiente amada, então isso transborda dentro de mim. 

Sendo bem realista, sinceramente não acho que um dia (falando por mim) vou conseguir me amar por completo. Acho que sempre vai existir um certo conflito aqui dentro. Ou, quando achar que já estou me amando 100% vou descobrir alguma faceta que precisa ser melhorada (falando de alma, ok?) e isso é a constante evolução sobre a qual já conversamos - sentir dor e ser esticado para chegar em um novo nível e viver tudo outra vez depois de um tempo. Já aceitei essa verdade. 

Mas com certeza existe um nível saudável e real de amor próprio. Um nível sadio de aceitação. Equilíbrio. E o objetivo deve ser atingir esse nível, para fluir de um lugar onde estamos transbordando e por isso conseguimos amar ao próximo genuinamente.

E eu sei que é difícil, tanto para quem ama ao próximo pelos motivos errados (mesmo que sem perceber), quanto para quem não sente que consegue viver essa conexão. É desafiador assumir para nós mesmos que as coisas estão bagunçadas. 

Na maioria das vezes a gente não quer parar para pensar profundamente nessas questões, porque focar nisso dói. Ignorar é mais fácil. 

Mas existe um nível de vida abundante, que a gente merece viver! É muito pouco tempo nessa terra para se contentar com relacionamentos mais ou menos. A gente deve ter direito a sentir algo de verdade. Nascemos para plenitude. Mas é preciso lutar por ela, mesmo sentindo dor. 

Como amar de verdade

Comece se dando uma boa olhada no espelho de dentro. Faça constantes auto análises e se confronte. Pense nas situações da sua infância, como os seus pais te davam (ou não) afeto. Nos relacionamentos e términos mais significativos. Nas verdades que as figuras de autoridade da sua vida te contaram. Como você se enxerga? 

Reconheça seus erros e aquelas áreas onde nem sabe por onde começar a arrumação, busque ajuda. Muita gente tem preconceito com terapia, mas ela é uma das melhores maneiras de cavar fundo na nossa alma. Se cerque de pessoas com quem você possa se abrir, fale de onde dói. E seja consistente. A gente não foi bagunçado em um dia, então as soluções não chegam tão rápido... tudo é desconstruído, para depois ganhar novas formas. Mesmo com recaídas no processo, não desista dele.

Esse é o caminho para sarar a visão que temos de nós mesmos e do mundo, alinhar as motivações do nosso coração, para que possamos viver relacionamentos saudáveis, plenos, abundante e completos. 

Que de onde está doendo, possa sair cura para nossa vida. E que quando a gente estiver curado, possamos transbordar amor. Dessa vez pelos motivos certos. 


P.S.  

Esse texto é especialmente importante para mim. Muitas pessoas queridas da minha vida se machucaram muito por estarem em um desses dois lados da história. Meu desejo é que elas sejam conduzidas para esse post, da mesma maneira que eu fui conduzida a escrevê-lo para cura própria. 

Por isso, se torne um agente de mudança: do fundo do meu coração, peço que se esse texto falou com você, ou te lembrou de alguém, comente e tenha coragem para passar adiante. O amor é bom e precisamos redescobrir isso.

O que ninguém te conta sobre mudar de vida 

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Todo esse processo da desconstrução dos padrões e estereótipos (muitos deles já tão normalizados que a gente nem se dava conta de que algo estava sendo imposto) tem um quê de montanha russa em si. 

Você já entende que não precisa se matar para parecer a garota da capa de revista - nem a garota da capa de revista se parece com ela na vida real - e que deve começar a se cercar de referências parecidas com as suas. 

Eu, por exemplo, comecei uma quebra de paradigmas enorme depois de seguir mulheres como a Débora Alcântara nas redes sociais. Sou fã de verdade e um dia quero conseguir falar “Obrigada!” ao vivo (meu sonho de princesa realizado seria tirar uma selfie depois). 

Mas nem tudo são flores. Mesmo que em alguns momentos você se sinta a mulher mais maravilhosa do planeta, em outros convive com algumas nóias querendo bater na porta insistentemente. A corda sempre arrebenta para o lado mais fraco, normal a percepção que temos da nossa aparência ser uma das primeiras coisas balançando nos momentos de crise.

Desconstruir padrões versus mudar de vida

Eu me orgulho, de verdade, das conquistas que coleciono até aqui. Amo ouvir das minhas amigas sobre a maneira como elas vem redescobrindo o amor próprio. Grande parte dos recursos responsáveis pela criação e cultivo dessa mudança são encontrados nesse maravilhoso mundo da internet. 

Já podemos querer abraçar a galera que escreve para o Modices, Superela (eu escrevo! Estou aceitando abraços!), Capitolina e Lugar de Mulher? UAU! Estamos cercadas de minas incríveis, todas focadas em compartilhar informações capazes de nos tornarem mulheres maravilhosas. Amo viver nesse tempo. 

Dito isso tudo, preciso fazer uma confissão: nas últimas semanas eu não venho me achando bonita. Nem um pouco.  

E isso não tem a ver com estar regredindo na minha desconstrução de padrões, voltando a querer desesperadamente as pernas da Gisele Bündchen

Mesmo sabendo que ainda tenho um longo (looooooooooooooooooooooooooooooooooongo) caminho para ser alguém completamente desconstruído, a insatisfação das últimas semanas não tem a ver com me encaixar ou não em um padrão - mas pode ser que a sua seja e tudo bem, você não é menor por isso. 

Ah! Esse também não é um post para ganhar elogios, ou para vocês comentarem “Gata!”, “Linda!”, “Você está maravilhosa!”. Na verdade, é um post só sendo sincera sobre o quanto, nesses dias, eu venho questionando tudo o que sempre achei sobre o meu corpo, pele, cabelo e até o meu jeito. A verdade é que eu simplesmente não me sinto boa o suficiente

Eu só amaria mudar de vida agora, nesse exato momento. É possível fechar os olhos e ter tudo já completamente transformado na próxima vez que você os abrir?

Por que queremos mudar de vida?

Talvez sejam só compridos momentos de conflito, mas a questão é que não consigo olhar no espelho e gostar do que eu vejo. Pelo menos não tanto quanto gostava antes. 

Então, depois de muito me auto analisar, conversar com amigos próximos, chorar, orar e demorar para dormir, cheguei nessas duas conclusões: 

  1. Para começar tirando essa pressão de cima de mim (e talvez de cima de você), vamos ficar tranquilas porque é perfeitamente normal viver momentos assim. Todos nós passamos por períodos onde não nos sentimos bons o suficiente. Onde queremos mudar tudo na nossa vida de uma vez só. 
  2.  Quando a gente se sente bagunçado por dentro (tão bagunçado que não faz ideia de por onde começar a arrumar as coisas), a insatisfação passa para o lado de fora. 

Faz sentido para você? Para mim vem fazendo um monte. 

Acontece que esse quero-mudar-tudo-para-ontem-porque-nada-tá-bom.jpg é exatamente o que queremos fazer na parte de dentro, mas não temos controle absoluto disso, já que mudanças internas vão além de foco e força de vontade, elas exigem tempo, confronto, auto análise e bastante paciência. 

Aqui, do lado de fora, aparentemente temos mais controle sobre as tais modificações. Podemos cortar o cabelo, fazer uma dieta, comprar roupas novas e apostar em uns procedimentos estéticos. O que eu acho ótimo! Mesmo! Quando não são mudanças vazias, mas sim complementares a parte de dentro. 

Quando a gente se pega usando essas cartas na manga para camuflar um problema que está acontecendo lá dentro, elas se tornam insignificantes. Funcionam como um conserto rápido, daqueles que cedo ou tarde voltam a dar problema.

Ainda sobre se sentir bagunçado por dentro, grande parte das vezes essa insatisfação funciona como um efeito dominó. O descontentamento ultrapassa as barreiras interiores e toda a cobrança passa a ser com você, as pessoas e situações ao redor. Você, nem nada por perto, é bom o suficiente

Então, partindo do princípio de que todas as coisas estão constantemente cooperando para o nosso bem, quero te convidar a mudar a perspectiva desse momento - eu estou me esforçando para fazer isso - e passar a notar o quão agraciados somos por não estarmos contentes com o lugar onde estamos. 

O processo para mudar de vida começa com um simples ingrediente: a insatisfação. Olha que coisa boa, estamos com estoque abarrotado do ingrediente principal para uma mudança radical de vida! YEAH! VIVA! 

Não gostar de onde estamos é o próximo passo depois de aceitar que as coisas não estão legais (lembra do post da semana passada?) e viver o tempo necessário de processar a tristeza.

É o sair da caverna para começar traçar os próximos passos da jornada. Essa etapa é cheia de desafios, sonhos, receios e vontade de dar certo. Aqui é necessário entender que você tem o presente de dar o rumo que quiser para sua vida. O quão incrível e poderoso isso é? 

Então, não deixe toda essa insatisfação agir como paralisante, na verdade mude a perspectiva e perceba como isso pode se tornar um combustível maravilhoso para uma mudança completa de vida

Como mudar de vida (efetivamente)

Antes de pensarmos nos aspectos mais práticos dessa mudança, é essencial entendermos que absolutamente nada vai mudar se continuarmos nos sentindo essa bagunça por dentro. Não dá para simplesmente decidir mudar radicalmente de vida do lado de fora continuando exatamente a mesma pessoa por dentro. 

O que ninguém te conta sobre mudar de vida é que essa mudança só ganha forma no mundo real quando começamos a botar ordem na casa interior (sou péssima com trocadilhos vocês sabem). 

E aí, mais uma vez, eu preciso bater nessa tecla: se auto analise, procure entender suas motivações para fazer (ou deixar de fazer) certas coisas, passe um pente fino nos seus relacionamentos (familiares, amizades, trabalho, amorosos…) e como eles te fazem sentir, se possível procure por terapia ou pessoas em quem confia para colocar seus pensamentos para fora e ter uma perspectiva diferente, pesquise sobre como se sente, leia e estude a respeito, passe bastante tempo sozinho e entre em contato com partes mais profundas suas. 

Organizar a casa é um processo. Não é confortável. É doloroso na maior parte do tempo. Mas junto com isso carrega um senso de libertação e auto conhecimento maravilhoso. A gente tira o lixo da vida, reorganiza prioridades e começa a ter concepções completamente diferentes. Se antes parecia impossível respirar e seguir em frente, aqui já começamos a ter esperanças. Mudança de vida começa a fluir daquele lugar de dor.

Com todas essas ações internas já rolando (não precisa esperar estar tudo absolutamente resolvido, já que os processos internos/externos se complementam no resultado final) é seguro e sábio partir para a parte que os olhos podem ver. 

Tendo consciência das coisas que precisamos manter e as que precisamos descartar, é hora de bolar um plano de ação. Aqui vou dar como exemplo o que venho fazendo, mas você pode aplicar esses princípios para uma mudança na sua carreira, estudos, o modo como usa a sua grana, a maneira que coloca seus planos em prática, relacionamentos. O que fizer sentido na sua jornada, ok? 

Para mim, uma das coisas mais importantes está sendo criar ações e rotinas diárias de cuidados pessoais (isso inclui cuidar e celebrar minhas três esferas: corpo, alma e espírito). Venho tentando dividir meu dia em três rotinas de self-care (gosto mais da expressão em inglês, fica chique, né?). 

De manhã eu acordo, tomo banho, oro, leio a Bíblia e preparo meu café. Logo após o almoço eu assisto um episódio de alguma série que gosto muito e leio escutando música. A partir das 22H não mexo mais em redes sociais (a parte mais difícil), tomo um banho quentinho e passo algum hidratante bem cheiroso, vou para cama às 23:00, escrevo no meu diário, repasso os pontos principais do próximo dia e leio até pegar no sono. 

Essa é uma rotina que ainda venho tentando implementar completamente, mesmo sendo maravilhosa é difícil abrir mão e priorizar as coisas durante o dia, para que ela funcione. E aí está o grande exercício em criar hábitos como esses: você precisa entender e viver seu senso de valor, para não abrir mão deles. Quando a gente começa a compreender como temos valor e somos importantes, se cuidar e fazer coisas que te aproximem dos resultados desejados se tornam mais e mais naturais. 

A parte prática da mudança de vida

Logo depois de implementar essas rotinas diárias que celebram você e te fazem lembrar (por mais atordoado que seu dia seja) como ainda é capaz de se amar e priorizar, é hora de listar as prioridades das mudanças.

Se for trabalho, qual o plano de ação? Fazer cursos de especialização, começar a enviar currículos, voltar para faculdade? Se forem amizades, qual o plano de ação? Conversas francas, sair para novos lugares, descobrir novos hobbies? O processo de construção é parecido.

No fundo, a gente sente qual caminho deve seguir. Mas, muitas vezes, o barulho dentro da nossa cabeça é tão alto que mal conseguimos ouvir o que deveria ser um instinto. Silenciando as vozes mentirosas e dando uma boa faxina na casa, recuperando nosso poder ao entendermos e vivermos nosso valor, vemos as coisas fluindo. 

E eu sei que isso não vai ser uma solução rápida para como você se sente. De maneira que logo após a decisão inicial o reflexo no espelho fale: “Olha, de repente comecei a gostar de mim de novo!” Mas é um início para se lembrar como você é responsável por muita coisa na sua vida e que tem grande parte nos seus pensamentos e ações. 

Também é importante lembrar que vai passar. É difícil ter paciência. Eu não gosto de ter paciência. Na verdade eu gosto das coisas acontecendo agora, nesse momento. Mas são essas situações que forçam a gente a crescer.

Temos paciência e aguentamos firme, continuando a fazer a coisa certa mesmo que naquele momento aquilo pareça não gerar fruto nenhum, ou jogamos tudo para o alto e vivemos uma vida infeliz para sempre. 

Bem dramático esse fim, mas espero que seja efetivo e te traga alguma luz.

No final, nada disso tinha a ver com estar voltando a acreditar nos padrões de beleza, mas sim na necessidade de uma reavaliação profunda de motivações e crenças. Muitas vezes o problema não é o que parece, a gente só precisa ter paciência (olha ela aqui outra vez!) para escutar aquilo que importa de verdade.


Se identificou com alguma coisa nesse texto? Vamos compartilhar nossas histórias aqui nos comentários, eu e todo mundo precisamos ouvir o que você tem a dizer. 

As mulheres que não aprenderam dar errado

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Dia desses estava em um bar conversando com uma amiga que também acabou de se formar na faculdade. Antes que nossos pedidos pudessem chegar na mesa, comentei sobre como todas os outros amigos que estavam mais ou menos nesse momento tinham me confidenciado o fato de estarem se sentindo meio perdidos, além de envergonhados e/ou tristes por isso. Comecei minha cota de confissões da noite falando sobre o quanto era difícil abraçar esse processo de virar adulto oficialmente. Crescer é uma experiência inconveniente

Tanto eu quanto ela somos pessoas extremamente otimistas. Logo, foi um tanto quanto constrangedora e complicada a sequência de confissões daquela noite, juntas elas foram capazes de nos levar a aceitar o fato de que haveria sofrimento na vida. 

Quando assumimos ser alguém otimista, a última coisa na qual se quer pensar é que as coisas vão dar errado e que você (inevitavelmente) vai sofrer. É uma droga pensar no seu plano inicial tão lindo e perfeito não acontecendo como havia sido descrito no papel. 

Não me ache alguém inocente ou hipócrita. É importante entender que tanto eu quanto a maioria das mulheres na minha faixa de idade (vinte e poucos) fomos criadas com a crença de que nascemos destinadas para algo grandioso e único. Com a constante afirmação de que éramos especiais e vivíamos um daqueles roteiros Hollywoodianos (típico dos Millennials). Se corrêssemos atrás dos nossos sonhos seriamos recompensadas e viveríamos algo incrível, sendo realizadas por sermos autênticas. 

Outro ponto é o fato de estarmos nos tornando adultas em plena primavera do empoderamento feminino. Estamos crescendo aprendendo a necessidade de sermos mulheres fortes. Lutar, se fazer ouvida, assumir seu lugar de igualdade na sociedade e seguir em frente são reforços constantes.

Eu amo viver em uma época onde posso passar por uma fase tão importante da vida com estímulos e recursos para me tornar uma pessoa segura do meu papel, empoderada e com uma visão clara da minha identidade, direitos e deveres. Mas toda essa atmosfera, somada às crenças construídas na infância, criam uma pressão absurda. Acabamos nos sentindo extremamente culpadas ao não segurar a onda. Quase desertoras de toda esse padrão de força que nos foi entregue. 

E aí começa um certo tipo de crise quando damos o nosso melhor, fazemos nossa parte, colocamos a cara a tapa, somos verdadeiras e entregamos tudo de nós… mas as coisas não saem como o planejado

Não foi isso que tinham me contado sobre a vida. Não é isso que deveria acontecer quando você vai atrás do que ama. Essa aflição aqui dentro do peito não estava no manual. Porque ela apareceu? Porque ela não passa instantaneamente? Não fomos criadas para sentir dor. 

Entretanto, uma das verdades mais libertadoras que podemos aceitar é: viver dói. A gente vai passar por decepção, desistência, desinteresse, egoísmo, perdas, desilusões, ódio, rejeição, falta. Sem nenhuma opção de escape, uma hora vai doer para caramba

O sonho que você batalhou para construir pode não acontecer como planejado. O emprego dos sonhos pode ser um saco. Aquele relacionamento que era seu mundo pode ser extremamente tóxico. Seus amigos vão te frustrar. Você vai ser iludido. Vai achar que conhece alguém, mas vai ser surpreendido da pior maneira possível. A insegurança e o medo de dar errado vão bater na sua porta. Vai tomar decisões erradas com consequências desastrosas. Vai achar que está todo mundo indo super bem obrigada, enquanto você nem sabe como vai chegar até amanhã. E essa sensação de perder o chão, do inesperado, da agonia de perceber dar errado é inexplicavelmente dolorida

Pelo bem da nossa saúde mental, precisamos entender o quanto antes: por mais que a gente queira, não tem para onde correr. Viver dói. 

Depois de cantarmos todo o refrão de Promiscuous, da Nelly Furtado, tocada por um dos DJs mais incríveis que já presenciei na vida em alguma versão realmente boa que eu nunca tinha ouvido antes, lembrei de uma frase extremamente clichê, mas que se encaixava perfeitamente na nossa discussão: “A dor é inevitável, o sofrimento é opcional” (segundo o Google Drummond, Gandhi e Renato Russo são os autores da mesma). 

Pela primeira vez desde que me lembro, precisei discordar de uma declaração auto ajuda. Desculpe autor misterioso dessa frase, mas sem rota de fuga, o sofrimento vai chegar

Podemos não viver uma vida miserável, nos jogando pelos cantos sentindo pena de nós mesmos em 97% do tempo (segundo minhas estimativas). Mas é importante viver os outros 3%, sofrer encarando isso como uma parte importante no constante processo de amadurecimento que é viver. Mesmo tendo poder para escolher até onde vamos nos entregar, não dá para simplesmente pular essa desgostosa etapa da evolução

Na minha primeira sessão de terapia contei para psicóloga sobre uma das decisões mais difíceis que eu já havia tomado: colocar ponto final em um relacionamento, que era muito especial para mim, quando percebi estar dependente emocionalmente. Eu estava uma bagunça por dentro mas expliquei para ela o quanto sabia que era importante viver a fase do luto, também de como eu tinha muitas coisas para fazer e isso não era prioridade, enfatizei com convicção a recusa em viver aquela tristeza e constante vontade de chorar. 

Ela me perguntou há quanto tempo tínhamos terminado. “Uma semana”. Ela sorriu, anotou alguma coisa no papel e me olhou nos olhos com uma serenidade surreal: 

— Dê tempo para você. Se permita não querer sair da cama. Você precisa ter paciência com a dor, porque uma hora ela passa. Mas se a gente suprime o sofrimento e bota banca de forte, aquilo fica reprimido lá e uma hora estoura. E quando estoura… é bem feio. 

Ter paciência já é em si uma tarefa desafiadora. Ter paciência com a nossa dor é quase utópico de se especular. Quem tem tempo para ficar mal? Aliás, quem quer abraçar sua dor e aceitar que ela vai ficar hospedada por um tempo? É um nível de consciência que me assusta. 

Sei que aprendemos a engolir o choro e continuar. Também sei que em alguns dias não existe outra opção a não ser essa, mas a gente não pode entrar no caminho de simplesmente ignorar a dor, de abafar e colocar ela debaixo do tapete. 

É preciso sentir todos os sentimentos. Não querer sair no fim de semana para ficar em casa assistindo Netflix e comendo brigadeiro, chorar ouvindo sertanejo e se permitir não sair da cama. Seja sincero ao menos com você e assuma sua dor. Não dá para fugir desse processo e querer ficar imune às futuras consequências. Antes de sentir raiva de si mesmo, entenda que é uma FASE e vai passar. Se dê tempo para processar os acontecimentos. 

No dia em que falei “não podemos mais ser amigos” para uma das pessoas mais legais que conheci, chorei por cinco horas seguidas. Os 40 primeiros minutos dividindo Uber com ela. E eu sei que isso tudo parece muito dramático, mas naquele momento (em um lapso de lucidez e sabedoria) eu sabia que reprimir aquela dor ia me trazer serias consequências depois e como naquele dia já estava tomando decisões difíceis pelo bem da minha saúde emocional, essa entrou no pacote. Então eu chorei. Muito. Depois me forcei ignorar a dor (péssima decisão, meu lapso de lucidez foi bem breve mesmo), mas logo após a sessão de terapia desabei me entregando ao processo. 

E abraçar esse processo quebrou grandes paradigmas na minha vida. Um deles foi o de que eu precisava ser forte o tempo todo.

Quase todo dia eu leio a Bíblia e lá tem uma passagem que vem fazendo cada vez mais sentido para mim. Nela o rei mais sábio que já existiu disserta sobre como existe um tempo certo para todas as coisas na terra, inclusive tempo de chorar e tempo de sorrir. 

Existe um tempo próprio para tudo, e há uma época para cada coisa debaixo do céu: um tempo para nascer e um tempo para morrer; um tempo para plantar e um tempo para colher o que se semeou; um tempo para matar, um tempo para curar as feridas; um tempo para destruir e outro para reconstruir; um tempo para chorar e um tempo para rir; um tempo para se lamentar e outro para dançar de alegria; um tempo para espalhar pedras, um tempo para as juntar; um tempo para abraçar, um tempo para afastar quem se chega a nós; um tempo para andar à procura e outro para perder; um tempo para armazenar e um para distribuir; um tempo para rasgar e outro para coser; um tempo para estar calado e outro tempo para falar; um tempo para amar, um tempo para odiar; um tempo para a guerra, e um tempo para a paz.
Eclesiastes 3:1-8

Por mais difícil e decepcionante que seja, precisamos aceitar que na vida vamos viver tempos de chorar. Então, afunda a cabeça no travesseiro e chora. Coloca seus fones de ouvido, dando play numa sofrência de respeito e deixa doer. Precisamos aceitar que crescer é difícil e vai vir recheado de situações dolorosas.

Mais importante do que isso, não use máscaras com quem importa para tentar esconder as feridas abertas. Mostre onde está ardendo e pergunte se ela também precisa de ajuda. A verdade é que ninguém está bem o tempo todo. É importante demonstrar isso para quem é alguém na nossa vida e se colocar disponível para receber o mesmo de volta. Não estamos tão sozinhos quanto pensamos. 

Entenda bem, não estou dizendo para você se entregar para depressão. De forma alguma! A grande questão é a importância de viver o momento de dor e conseguir colocar para fora tudo o que poderia estar te travando, dessa forma você vai ser capaz de construir uma força genuína vinda de uma melhora sincera, verdadeira e enraizada. O que vai te dar força real para continuar. 

Quando você segue a partir desse lugar de cura, avança muito mais e entra em uma nova estação na sua vida, com novas metas, desafios e perspectivas - até chegar em um estágio onde vai precisar mudar de nível outra vez

Mas para mudar de nível vai ser necessário viver (mais uma vez) o desconforto, algo vai doer. Só que isso te liberta, joga para frente, uma nova estação. Esses ciclos vão acontecer durante nossa existência inteira.

Teria sido ótimo pedir a conta do bar naquela noite podendo chegar à conclusão que uma hora isso para, simplesmente deixa de doer e nós alcançamos um estágio onde não seremos mais esticados. Mas não foi isso que rolou. Na realidade, entendemos que se um dia isso parar significa que estaremos estagnados

E aí, o que você escolhe? Viver nessa zona de conforto querida, numa constante felicidade ludibriada pelo já familiar, ou aceitar o inevitável se jogando numa jornada de estar constantemente indo além, vivendo momentos de muita dor, mas também momentos de alegria e realizações indescritíveis?

Viver dói. E tudo bem ser assim.


Se identificou com alguma coisa nesse texto? Vamos compartilhar nossas histórias aqui nos comentários, eu e todo mundo precisamos ouvir o que você tem a dizer.