Como ser bem sucedido, rico e casado aos 20

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Há algumas semanas atrás eu estava jantando na casa de uma amiga que acabou de se casar, ela tem 21 anos de idade. O relacionamento deles estampa uma das minhas histórias de amor prediletas (tanto que fui madrinha na cerimônia!) e, em resumo, os dois namoraram/noivaram/casaram em mais ou menos um ano. Em determinado ponto do jantar, brincamos sobre como algumas pessoas com as quais eu compartilhava a história dos dois (sou muito fã, realmente vivo comentando sobre) ouviam com atenção e declaravam: "Eu quero e vou namorar/noivar/casar em um ano!".  

O problema é que a maioria dessas pessoas não tem a estrutura financeira que esses meus amigos tinham. Muito menos a emocional. Comentei como me preocupava o fato de que a maioria de nós está tão preocupado com o achar-o-grande-amor-da-vida-e-casar, que não faz ideia das consequências que uma versão express dessa decisão podem causar.

Também começamos a lembrar de vários outros amigos e seus relacionamentos; alguns namoraram durante sete anos para depois casar, ou então namoraram dois, três, cinco até se sentirem preparados para essa decisão. Fomos percebendo como as pessoas e suas rotas de vida são diferentes mas, ao mesmo tempo, nos cobramos para ter uma performance igual ou superior.

Exceção não é regra (repita comigo 10x seguidas)

Um pouco mais cedo, nesse mesmo dia, estava tomando açaí com uma outra amiga. Conversávamos sobre como é louca essa pressão (muitas vezes interna) para "dar certo" aos vinte anos de idade. Ela me descrevia a maneira com a qual se sentia pressionada e incomodada pelo fato de ainda não ser super rica, chefe e reconhecida profissionalmente. Fato importante: ela tem 23 anos e seis meses de formada na faculdade. 

Ao meu ver, é extremamente cruel a maneira com a qual encaramos as excessões (que acho incríveis mas, ainda assim, excessões) de quem "deu certo" ainda estando na casa dos vinte, achando um grande amor e enriquecendo com o que ama; como um espelho pelo qual devemos nos medir. 

A ideia de que nossas jornadas podem (e vão) divergir umas das outras e que em nenhum momento precisamos nos depreciar ou cogitar que somos menos por causa disso acaba passando longe da maneira como estruturamos nossos pensamentos

Também somos ótimos em situações como: 

- Fulano emagreceu 10kg em três meses e eu não consigo emagrecer nem 100g

- Minha prima saiu da faculdade e logo conseguiu um emprego incrível, está ganhando um 10.000 por mês

- Tenho uma conhecida que fez intercâmbio e ficou por lá porque encontrou um americano e eles estão casados, com filhos, felizes e postam fotos bonitinhas no Instagram

Os padrões ferraram com a gente

Fomos educados a nos compararmos com padrões pré estabelecidos, a maioria deles irreal e bastante idealizada. Aqui não vou nem começar a entrar no mérito de como as redes sociais fazem uma edição bizarra na dinâmica da vida, então por enquanto vamos todos focar nesse ponto: somos pessoas diferentes, com histórias compostas com questões extremamente diversificadas e que por isso acabam vivendo realidades completamente diversas

Querer aplicar uma fórmula da vida perfeita que aparentemente deu certo, na certeza de que isso é capaz de servir todo mundo, é o segredo para se sentir constantemente frustrado. 

Essas pessoas não tiveram a mesma criação, oportunidades e referências que você. Vocês nem tem o mesmo metabolismo ou tipo físico! Mas em nenhum momento você se torna menos por isso. A sua trajetória não te fez menor do que ninguém.  

Ah... a grama do vizinho

Precisamos começar a fazer esse exercício de reconhecer e celebrar nossas diferenças, não só na aparência, mas inclusive na maneira de enxergar e vivenciar o mundo. Também comemorar tudo o que já conquistamos, mesmo enquanto estamos fazendo planos para o futuro. 

Faça o exercício de pensar em quem você era e como estava há cinco anos atrás, comparando com a pessoa que enxerga hoje. Olha quantas coisas aconteceram, como diversos caminhos que antes eram impensáveis foram desenvolvidos. 

Precisamos ter mais graça na maneira como lidamos com nós mesmos. Aprendemos a nos depreciar de maneira constante, achando que nunca nada está suficientemente bom. As conquistas perdem seu brilho rapidamente, a euforia de gratidão só dura o tempo das interações na postagem onde comunicamos a vitória. 

Somos ótimos em observar como a grama do vizinho é mais verde. Mas talvez nem o vizinho ache que a grama dele é tão verde assim. Aliás, já parou para pensar como a terra do vizinho é completamente diferente da sua, o que fez com que ele conseguisse aquela coloração na grama de maneira muito específica, usando produtos para aquele tipo de terra; aquelas ferramentas só tem o resultado percebido ali pelo tipo de terra que é exclusividade do seu vizinho. Mas como a SUA terra é completamente diferente, mesmo seguindo os mesmos passos, seus resultados não vão ser os mesmos. 

Sua grama não vai ficar verde se você usar os mesmos produtos da casa ao lado. A grande descoberta é encontrar como a sua terra funciona e abraçar esse processo (importante falar que não sei nada sobre jardinagem, então pode ser que esse paralelo não faça muito sentido. Mas vamos fingir que faz). 

Afinal, como dar certo na vida?

A gente tem muito poder dentro de nós e muitas vezes isso fica preso porque queremos usar o poder que enxergamos no outro.

Comece a encontrar o caminho para desencadear o poder que existe dentro de você, com a sua própria força interna, respeitando o seu tempo e evolução. Celebre os pequenos começos e conquistas, as grandes também! Mas não se cobre para ter a sua vida inteira resolvida aos vinte e poucos anos. Tá bom? De verdade.

O conceito de "dar certo" é extremamente abstrato. Enquanto para você pode significar ganhar 10K por mês, trabalhando em uma multinacional e ir para Europa 2 vezes por ano, para mim pode significar algo completamente diferente.

A mesma coisa para toda essa história de casar e ser rico aos 20, são padrões pré estabelecidos. Mesmo que representem conquistas importantes na vida adulta, por si só não trazem felicidade. Perseguir isso desenfreadamente, achando que você só vai ser completo ao ter esse par de coisas, é o caminho para uma existência que sempre parece vazia. 

Já parou para pensar que, aos seus olhos, eu posso estar dando certo, mas eu mesma não consigo ter essa percepção (inclusive, estou escrevendo sobre esse ponto para publicar logo mais, então no futuro a gente troca mais ideia sobre)? 

Descubra o que REALMENTE te faz feliz e de que maneira VOCÊ quer viver a sua vida. Vá além de padrões de conquistas estabelecidos pelos os outros, siga os seus próprios. 

Uma coisa é certa e inegável: você nasceu para dar certo mas esse "dar certo" é um processo e acontece em termos diferentes para cada pessoa, em tempos diferentes para cada um.

Tenha paciência e graça com você e sua jornada.