O que ninguém te conta sobre mudar de vida 

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Todo esse processo da desconstrução dos padrões e estereótipos (muitos deles já tão normalizados que a gente nem se dava conta de que algo estava sendo imposto) tem um quê de montanha russa em si. 

Você já entende que não precisa se matar para parecer a garota da capa de revista - nem a garota da capa de revista se parece com ela na vida real - e que deve começar a se cercar de referências parecidas com as suas. 

Eu, por exemplo, comecei uma quebra de paradigmas enorme depois de seguir mulheres como a Débora Alcântara nas redes sociais. Sou fã de verdade e um dia quero conseguir falar “Obrigada!” ao vivo (meu sonho de princesa realizado seria tirar uma selfie depois). 

Mas nem tudo são flores. Mesmo que em alguns momentos você se sinta a mulher mais maravilhosa do planeta, em outros convive com algumas nóias querendo bater na porta insistentemente. A corda sempre arrebenta para o lado mais fraco, normal a percepção que temos da nossa aparência ser uma das primeiras coisas balançando nos momentos de crise.

Desconstruir padrões versus mudar de vida

Eu me orgulho, de verdade, das conquistas que coleciono até aqui. Amo ouvir das minhas amigas sobre a maneira como elas vem redescobrindo o amor próprio. Grande parte dos recursos responsáveis pela criação e cultivo dessa mudança são encontrados nesse maravilhoso mundo da internet. 

Já podemos querer abraçar a galera que escreve para o Modices, Superela (eu escrevo! Estou aceitando abraços!), Capitolina e Lugar de Mulher? UAU! Estamos cercadas de minas incríveis, todas focadas em compartilhar informações capazes de nos tornarem mulheres maravilhosas. Amo viver nesse tempo. 

Dito isso tudo, preciso fazer uma confissão: nas últimas semanas eu não venho me achando bonita. Nem um pouco.  

E isso não tem a ver com estar regredindo na minha desconstrução de padrões, voltando a querer desesperadamente as pernas da Gisele Bündchen

Mesmo sabendo que ainda tenho um longo (looooooooooooooooooooooooooooooooooongo) caminho para ser alguém completamente desconstruído, a insatisfação das últimas semanas não tem a ver com me encaixar ou não em um padrão - mas pode ser que a sua seja e tudo bem, você não é menor por isso. 

Ah! Esse também não é um post para ganhar elogios, ou para vocês comentarem “Gata!”, “Linda!”, “Você está maravilhosa!”. Na verdade, é um post só sendo sincera sobre o quanto, nesses dias, eu venho questionando tudo o que sempre achei sobre o meu corpo, pele, cabelo e até o meu jeito. A verdade é que eu simplesmente não me sinto boa o suficiente

Eu só amaria mudar de vida agora, nesse exato momento. É possível fechar os olhos e ter tudo já completamente transformado na próxima vez que você os abrir?

Por que queremos mudar de vida?

Talvez sejam só compridos momentos de conflito, mas a questão é que não consigo olhar no espelho e gostar do que eu vejo. Pelo menos não tanto quanto gostava antes. 

Então, depois de muito me auto analisar, conversar com amigos próximos, chorar, orar e demorar para dormir, cheguei nessas duas conclusões: 

  1. Para começar tirando essa pressão de cima de mim (e talvez de cima de você), vamos ficar tranquilas porque é perfeitamente normal viver momentos assim. Todos nós passamos por períodos onde não nos sentimos bons o suficiente. Onde queremos mudar tudo na nossa vida de uma vez só. 
  2.  Quando a gente se sente bagunçado por dentro (tão bagunçado que não faz ideia de por onde começar a arrumar as coisas), a insatisfação passa para o lado de fora. 

Faz sentido para você? Para mim vem fazendo um monte. 

Acontece que esse quero-mudar-tudo-para-ontem-porque-nada-tá-bom.jpg é exatamente o que queremos fazer na parte de dentro, mas não temos controle absoluto disso, já que mudanças internas vão além de foco e força de vontade, elas exigem tempo, confronto, auto análise e bastante paciência. 

Aqui, do lado de fora, aparentemente temos mais controle sobre as tais modificações. Podemos cortar o cabelo, fazer uma dieta, comprar roupas novas e apostar em uns procedimentos estéticos. O que eu acho ótimo! Mesmo! Quando não são mudanças vazias, mas sim complementares a parte de dentro. 

Quando a gente se pega usando essas cartas na manga para camuflar um problema que está acontecendo lá dentro, elas se tornam insignificantes. Funcionam como um conserto rápido, daqueles que cedo ou tarde voltam a dar problema.

Ainda sobre se sentir bagunçado por dentro, grande parte das vezes essa insatisfação funciona como um efeito dominó. O descontentamento ultrapassa as barreiras interiores e toda a cobrança passa a ser com você, as pessoas e situações ao redor. Você, nem nada por perto, é bom o suficiente

Então, partindo do princípio de que todas as coisas estão constantemente cooperando para o nosso bem, quero te convidar a mudar a perspectiva desse momento - eu estou me esforçando para fazer isso - e passar a notar o quão agraciados somos por não estarmos contentes com o lugar onde estamos. 

O processo para mudar de vida começa com um simples ingrediente: a insatisfação. Olha que coisa boa, estamos com estoque abarrotado do ingrediente principal para uma mudança radical de vida! YEAH! VIVA! 

Não gostar de onde estamos é o próximo passo depois de aceitar que as coisas não estão legais (lembra do post da semana passada?) e viver o tempo necessário de processar a tristeza.

É o sair da caverna para começar traçar os próximos passos da jornada. Essa etapa é cheia de desafios, sonhos, receios e vontade de dar certo. Aqui é necessário entender que você tem o presente de dar o rumo que quiser para sua vida. O quão incrível e poderoso isso é? 

Então, não deixe toda essa insatisfação agir como paralisante, na verdade mude a perspectiva e perceba como isso pode se tornar um combustível maravilhoso para uma mudança completa de vida

Como mudar de vida (efetivamente)

Antes de pensarmos nos aspectos mais práticos dessa mudança, é essencial entendermos que absolutamente nada vai mudar se continuarmos nos sentindo essa bagunça por dentro. Não dá para simplesmente decidir mudar radicalmente de vida do lado de fora continuando exatamente a mesma pessoa por dentro. 

O que ninguém te conta sobre mudar de vida é que essa mudança só ganha forma no mundo real quando começamos a botar ordem na casa interior (sou péssima com trocadilhos vocês sabem). 

E aí, mais uma vez, eu preciso bater nessa tecla: se auto analise, procure entender suas motivações para fazer (ou deixar de fazer) certas coisas, passe um pente fino nos seus relacionamentos (familiares, amizades, trabalho, amorosos…) e como eles te fazem sentir, se possível procure por terapia ou pessoas em quem confia para colocar seus pensamentos para fora e ter uma perspectiva diferente, pesquise sobre como se sente, leia e estude a respeito, passe bastante tempo sozinho e entre em contato com partes mais profundas suas. 

Organizar a casa é um processo. Não é confortável. É doloroso na maior parte do tempo. Mas junto com isso carrega um senso de libertação e auto conhecimento maravilhoso. A gente tira o lixo da vida, reorganiza prioridades e começa a ter concepções completamente diferentes. Se antes parecia impossível respirar e seguir em frente, aqui já começamos a ter esperanças. Mudança de vida começa a fluir daquele lugar de dor.

Com todas essas ações internas já rolando (não precisa esperar estar tudo absolutamente resolvido, já que os processos internos/externos se complementam no resultado final) é seguro e sábio partir para a parte que os olhos podem ver. 

Tendo consciência das coisas que precisamos manter e as que precisamos descartar, é hora de bolar um plano de ação. Aqui vou dar como exemplo o que venho fazendo, mas você pode aplicar esses princípios para uma mudança na sua carreira, estudos, o modo como usa a sua grana, a maneira que coloca seus planos em prática, relacionamentos. O que fizer sentido na sua jornada, ok? 

Para mim, uma das coisas mais importantes está sendo criar ações e rotinas diárias de cuidados pessoais (isso inclui cuidar e celebrar minhas três esferas: corpo, alma e espírito). Venho tentando dividir meu dia em três rotinas de self-care (gosto mais da expressão em inglês, fica chique, né?). 

De manhã eu acordo, tomo banho, oro, leio a Bíblia e preparo meu café. Logo após o almoço eu assisto um episódio de alguma série que gosto muito e leio escutando música. A partir das 22H não mexo mais em redes sociais (a parte mais difícil), tomo um banho quentinho e passo algum hidratante bem cheiroso, vou para cama às 23:00, escrevo no meu diário, repasso os pontos principais do próximo dia e leio até pegar no sono. 

Essa é uma rotina que ainda venho tentando implementar completamente, mesmo sendo maravilhosa é difícil abrir mão e priorizar as coisas durante o dia, para que ela funcione. E aí está o grande exercício em criar hábitos como esses: você precisa entender e viver seu senso de valor, para não abrir mão deles. Quando a gente começa a compreender como temos valor e somos importantes, se cuidar e fazer coisas que te aproximem dos resultados desejados se tornam mais e mais naturais. 

A parte prática da mudança de vida

Logo depois de implementar essas rotinas diárias que celebram você e te fazem lembrar (por mais atordoado que seu dia seja) como ainda é capaz de se amar e priorizar, é hora de listar as prioridades das mudanças.

Se for trabalho, qual o plano de ação? Fazer cursos de especialização, começar a enviar currículos, voltar para faculdade? Se forem amizades, qual o plano de ação? Conversas francas, sair para novos lugares, descobrir novos hobbies? O processo de construção é parecido.

No fundo, a gente sente qual caminho deve seguir. Mas, muitas vezes, o barulho dentro da nossa cabeça é tão alto que mal conseguimos ouvir o que deveria ser um instinto. Silenciando as vozes mentirosas e dando uma boa faxina na casa, recuperando nosso poder ao entendermos e vivermos nosso valor, vemos as coisas fluindo. 

E eu sei que isso não vai ser uma solução rápida para como você se sente. De maneira que logo após a decisão inicial o reflexo no espelho fale: “Olha, de repente comecei a gostar de mim de novo!” Mas é um início para se lembrar como você é responsável por muita coisa na sua vida e que tem grande parte nos seus pensamentos e ações. 

Também é importante lembrar que vai passar. É difícil ter paciência. Eu não gosto de ter paciência. Na verdade eu gosto das coisas acontecendo agora, nesse momento. Mas são essas situações que forçam a gente a crescer.

Temos paciência e aguentamos firme, continuando a fazer a coisa certa mesmo que naquele momento aquilo pareça não gerar fruto nenhum, ou jogamos tudo para o alto e vivemos uma vida infeliz para sempre. 

Bem dramático esse fim, mas espero que seja efetivo e te traga alguma luz.

No final, nada disso tinha a ver com estar voltando a acreditar nos padrões de beleza, mas sim na necessidade de uma reavaliação profunda de motivações e crenças. Muitas vezes o problema não é o que parece, a gente só precisa ter paciência (olha ela aqui outra vez!) para escutar aquilo que importa de verdade.


Se identificou com alguma coisa nesse texto? Vamos compartilhar nossas histórias aqui nos comentários, eu e todo mundo precisamos ouvir o que você tem a dizer. 

As mulheres que não aprenderam dar errado

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Dia desses estava em um bar conversando com uma amiga que também acabou de se formar na faculdade. Antes que nossos pedidos pudessem chegar na mesa, comentei sobre como todas os outros amigos que estavam mais ou menos nesse momento tinham me confidenciado o fato de estarem se sentindo meio perdidos, além de envergonhados e/ou tristes por isso. Comecei minha cota de confissões da noite falando sobre o quanto era difícil abraçar esse processo de virar adulto oficialmente. Crescer é uma experiência inconveniente

Tanto eu quanto ela somos pessoas extremamente otimistas. Logo, foi um tanto quanto constrangedora e complicada a sequência de confissões daquela noite, juntas elas foram capazes de nos levar a aceitar o fato de que haveria sofrimento na vida. 

Quando assumimos ser alguém otimista, a última coisa na qual se quer pensar é que as coisas vão dar errado e que você (inevitavelmente) vai sofrer. É uma droga pensar no seu plano inicial tão lindo e perfeito não acontecendo como havia sido descrito no papel. 

Não me ache alguém inocente ou hipócrita. É importante entender que tanto eu quanto a maioria das mulheres na minha faixa de idade (vinte e poucos) fomos criadas com a crença de que nascemos destinadas para algo grandioso e único. Com a constante afirmação de que éramos especiais e vivíamos um daqueles roteiros Hollywoodianos (típico dos Millennials). Se corrêssemos atrás dos nossos sonhos seriamos recompensadas e viveríamos algo incrível, sendo realizadas por sermos autênticas. 

Outro ponto é o fato de estarmos nos tornando adultas em plena primavera do empoderamento feminino. Estamos crescendo aprendendo a necessidade de sermos mulheres fortes. Lutar, se fazer ouvida, assumir seu lugar de igualdade na sociedade e seguir em frente são reforços constantes.

Eu amo viver em uma época onde posso passar por uma fase tão importante da vida com estímulos e recursos para me tornar uma pessoa segura do meu papel, empoderada e com uma visão clara da minha identidade, direitos e deveres. Mas toda essa atmosfera, somada às crenças construídas na infância, criam uma pressão absurda. Acabamos nos sentindo extremamente culpadas ao não segurar a onda. Quase desertoras de toda esse padrão de força que nos foi entregue. 

E aí começa um certo tipo de crise quando damos o nosso melhor, fazemos nossa parte, colocamos a cara a tapa, somos verdadeiras e entregamos tudo de nós… mas as coisas não saem como o planejado

Não foi isso que tinham me contado sobre a vida. Não é isso que deveria acontecer quando você vai atrás do que ama. Essa aflição aqui dentro do peito não estava no manual. Porque ela apareceu? Porque ela não passa instantaneamente? Não fomos criadas para sentir dor. 

Entretanto, uma das verdades mais libertadoras que podemos aceitar é: viver dói. A gente vai passar por decepção, desistência, desinteresse, egoísmo, perdas, desilusões, ódio, rejeição, falta. Sem nenhuma opção de escape, uma hora vai doer para caramba

O sonho que você batalhou para construir pode não acontecer como planejado. O emprego dos sonhos pode ser um saco. Aquele relacionamento que era seu mundo pode ser extremamente tóxico. Seus amigos vão te frustrar. Você vai ser iludido. Vai achar que conhece alguém, mas vai ser surpreendido da pior maneira possível. A insegurança e o medo de dar errado vão bater na sua porta. Vai tomar decisões erradas com consequências desastrosas. Vai achar que está todo mundo indo super bem obrigada, enquanto você nem sabe como vai chegar até amanhã. E essa sensação de perder o chão, do inesperado, da agonia de perceber dar errado é inexplicavelmente dolorida

Pelo bem da nossa saúde mental, precisamos entender o quanto antes: por mais que a gente queira, não tem para onde correr. Viver dói. 

Depois de cantarmos todo o refrão de Promiscuous, da Nelly Furtado, tocada por um dos DJs mais incríveis que já presenciei na vida em alguma versão realmente boa que eu nunca tinha ouvido antes, lembrei de uma frase extremamente clichê, mas que se encaixava perfeitamente na nossa discussão: “A dor é inevitável, o sofrimento é opcional” (segundo o Google Drummond, Gandhi e Renato Russo são os autores da mesma). 

Pela primeira vez desde que me lembro, precisei discordar de uma declaração auto ajuda. Desculpe autor misterioso dessa frase, mas sem rota de fuga, o sofrimento vai chegar

Podemos não viver uma vida miserável, nos jogando pelos cantos sentindo pena de nós mesmos em 97% do tempo (segundo minhas estimativas). Mas é importante viver os outros 3%, sofrer encarando isso como uma parte importante no constante processo de amadurecimento que é viver. Mesmo tendo poder para escolher até onde vamos nos entregar, não dá para simplesmente pular essa desgostosa etapa da evolução

Na minha primeira sessão de terapia contei para psicóloga sobre uma das decisões mais difíceis que eu já havia tomado: colocar ponto final em um relacionamento, que era muito especial para mim, quando percebi estar dependente emocionalmente. Eu estava uma bagunça por dentro mas expliquei para ela o quanto sabia que era importante viver a fase do luto, também de como eu tinha muitas coisas para fazer e isso não era prioridade, enfatizei com convicção a recusa em viver aquela tristeza e constante vontade de chorar. 

Ela me perguntou há quanto tempo tínhamos terminado. “Uma semana”. Ela sorriu, anotou alguma coisa no papel e me olhou nos olhos com uma serenidade surreal: 

— Dê tempo para você. Se permita não querer sair da cama. Você precisa ter paciência com a dor, porque uma hora ela passa. Mas se a gente suprime o sofrimento e bota banca de forte, aquilo fica reprimido lá e uma hora estoura. E quando estoura… é bem feio. 

Ter paciência já é em si uma tarefa desafiadora. Ter paciência com a nossa dor é quase utópico de se especular. Quem tem tempo para ficar mal? Aliás, quem quer abraçar sua dor e aceitar que ela vai ficar hospedada por um tempo? É um nível de consciência que me assusta. 

Sei que aprendemos a engolir o choro e continuar. Também sei que em alguns dias não existe outra opção a não ser essa, mas a gente não pode entrar no caminho de simplesmente ignorar a dor, de abafar e colocar ela debaixo do tapete. 

É preciso sentir todos os sentimentos. Não querer sair no fim de semana para ficar em casa assistindo Netflix e comendo brigadeiro, chorar ouvindo sertanejo e se permitir não sair da cama. Seja sincero ao menos com você e assuma sua dor. Não dá para fugir desse processo e querer ficar imune às futuras consequências. Antes de sentir raiva de si mesmo, entenda que é uma FASE e vai passar. Se dê tempo para processar os acontecimentos. 

No dia em que falei “não podemos mais ser amigos” para uma das pessoas mais legais que conheci, chorei por cinco horas seguidas. Os 40 primeiros minutos dividindo Uber com ela. E eu sei que isso tudo parece muito dramático, mas naquele momento (em um lapso de lucidez e sabedoria) eu sabia que reprimir aquela dor ia me trazer serias consequências depois e como naquele dia já estava tomando decisões difíceis pelo bem da minha saúde emocional, essa entrou no pacote. Então eu chorei. Muito. Depois me forcei ignorar a dor (péssima decisão, meu lapso de lucidez foi bem breve mesmo), mas logo após a sessão de terapia desabei me entregando ao processo. 

E abraçar esse processo quebrou grandes paradigmas na minha vida. Um deles foi o de que eu precisava ser forte o tempo todo.

Quase todo dia eu leio a Bíblia e lá tem uma passagem que vem fazendo cada vez mais sentido para mim. Nela o rei mais sábio que já existiu disserta sobre como existe um tempo certo para todas as coisas na terra, inclusive tempo de chorar e tempo de sorrir. 

Existe um tempo próprio para tudo, e há uma época para cada coisa debaixo do céu: um tempo para nascer e um tempo para morrer; um tempo para plantar e um tempo para colher o que se semeou; um tempo para matar, um tempo para curar as feridas; um tempo para destruir e outro para reconstruir; um tempo para chorar e um tempo para rir; um tempo para se lamentar e outro para dançar de alegria; um tempo para espalhar pedras, um tempo para as juntar; um tempo para abraçar, um tempo para afastar quem se chega a nós; um tempo para andar à procura e outro para perder; um tempo para armazenar e um para distribuir; um tempo para rasgar e outro para coser; um tempo para estar calado e outro tempo para falar; um tempo para amar, um tempo para odiar; um tempo para a guerra, e um tempo para a paz.
Eclesiastes 3:1-8

Por mais difícil e decepcionante que seja, precisamos aceitar que na vida vamos viver tempos de chorar. Então, afunda a cabeça no travesseiro e chora. Coloca seus fones de ouvido, dando play numa sofrência de respeito e deixa doer. Precisamos aceitar que crescer é difícil e vai vir recheado de situações dolorosas.

Mais importante do que isso, não use máscaras com quem importa para tentar esconder as feridas abertas. Mostre onde está ardendo e pergunte se ela também precisa de ajuda. A verdade é que ninguém está bem o tempo todo. É importante demonstrar isso para quem é alguém na nossa vida e se colocar disponível para receber o mesmo de volta. Não estamos tão sozinhos quanto pensamos. 

Entenda bem, não estou dizendo para você se entregar para depressão. De forma alguma! A grande questão é a importância de viver o momento de dor e conseguir colocar para fora tudo o que poderia estar te travando, dessa forma você vai ser capaz de construir uma força genuína vinda de uma melhora sincera, verdadeira e enraizada. O que vai te dar força real para continuar. 

Quando você segue a partir desse lugar de cura, avança muito mais e entra em uma nova estação na sua vida, com novas metas, desafios e perspectivas - até chegar em um estágio onde vai precisar mudar de nível outra vez

Mas para mudar de nível vai ser necessário viver (mais uma vez) o desconforto, algo vai doer. Só que isso te liberta, joga para frente, uma nova estação. Esses ciclos vão acontecer durante nossa existência inteira.

Teria sido ótimo pedir a conta do bar naquela noite podendo chegar à conclusão que uma hora isso para, simplesmente deixa de doer e nós alcançamos um estágio onde não seremos mais esticados. Mas não foi isso que rolou. Na realidade, entendemos que se um dia isso parar significa que estaremos estagnados

E aí, o que você escolhe? Viver nessa zona de conforto querida, numa constante felicidade ludibriada pelo já familiar, ou aceitar o inevitável se jogando numa jornada de estar constantemente indo além, vivendo momentos de muita dor, mas também momentos de alegria e realizações indescritíveis?

Viver dói. E tudo bem ser assim.


Se identificou com alguma coisa nesse texto? Vamos compartilhar nossas histórias aqui nos comentários, eu e todo mundo precisamos ouvir o que você tem a dizer.