65% do seu sofrimento é culpa de uma única pessoa

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Esse texto começou em Londres, enquanto estava tomando café e preparando a apresentação final para um curso de marketing digital. Uma das meninas no grupo comentou um termo que ficou na minha cabeça durante os dias seguintes: responsabilidade emocional

Cheguei em casa, li alguns artigos sobre o assunto e tudo fez muito sentido. Citando um dos textos mais conhecidos sobre, a expressão pode ser descrita da seguinte maneira: 

Responsabilidade Emocional é se você tá se envolvendo com alguém, mesmo que seja só sexo, pegue pra si a responsabilidade de não fazê-la sofrer, não seja babaca, não suma, não assuma coisas que não foram ditas. Converse e aja com honestidade.

O desenvolvimento final dele veio algumas semanas depois, quando deixei de ir em uma super festa porque ela me lembrava alguém que foi bem importante, mas destruiu meu emocional num nível surreal. Sabia como as pessoas, cheiros e conversas que rondariam o ambiente me fariam mal. Mesmo tendo a clara noção de tudo que eu "perderia" por não ir, tive certeza de que a minha saúde emocional era mais importante. 

Juntando as duas coisas, comecei perceber algo: a gente está aprendendo a ter responsabilidade emocional com os outros, mas quando é para ser responsável com as nossas próprias emoções... como é que fica? 

A gente sabe ser babaca quando quer

Pensa comigo, como você se sentiria em um relacionamento onde o outro te faz passar por situações extremamente estressantes (sendo que a maioria delas poderia ter sido evitada), fazendo com que se questione o seu valor o tempo inteiro; expondo suas fragilidades de forma constante, criando um ambiente de bastante dor, cheio de teorias baseadas no quanto você realmente nem é tão bom assim?

Minha primeira reação seria pensar: Meu Deus, que babaca. Preciso me livrar desse ser humano imediatamente, ele só tá sendo tóxico e atrasando minha vida!

Pois é, querido leitor, muitas vezes nós mesmos somos essa pessoa em nossas vidas. Olha que demais! Quem diria que temos tanto potencial, hein? 

Quantas vezes você já se pegou entrando em relacionamentos onde sabia que iria sofrer? Quantas outras se colocou em situações onde, desde o início, tinha a plena consciência da capacidade contida ali para trazer suas maiores inseguranças e casos mal resolvidos à tona? Quantas vezes continuou falando com pessoas que faziam com que você nunca se sentisse bom o suficiente? Quantas vezes aceitou uma proposta, mesmo sabendo que ela detonaria com o seu senso de valor próprio?

Posso responder por mim? Muitas. Inúmeras. Incontáveis. Perco de vista. É só por aqui, ou por aí você também já foi culpado de alguma dessas atitudes? 

Como pode um homem reclamar quando é punido por suas próprias decisões?

Não é só o relacionamento que cultivamos com o outro que deve ser tratado de forma que venha crescer na base do respeito, responsabilidade e cuidado. A gente precisa começar a ter respeito, responsabilidade e cuidado em primeira pessoa. Você pode estar sendo o maior babaca da sua vida no momento.

Um dos meus coaches prediletos, Tiago Brunet, diz que mais de 65% dos nossos problemas são causados pelas nossas próprias ações e palavras. SESSENTA E CINCO POR CENTO! Mais da metade dos nossos problemas tem uma única fonte: nós mesmos

A gente se desrespeita muito. Se coloca em situações completamente desnecessárias, muitas vezes sem nem perceber. Sofremos por decisões próprias, mas viramos especialistas em colocar a culpa no outro.

É obvio que existem momentos onde a nossa dor tem início numa terceira pessoa, mas na maioria das vezes (65% delas, bom lembrar) somos os próprios causadores. Pura irresponsabilidade emocional.

Ao meu ver, precisamos puxar para gente essa tarefa de começar a cuidar melhor de si mesmo. Vamos ter que conviver conosco pela eternidade, de maneira ininterrupta. É melhor fazer com que esse relacionamento seja incrível

Farinha pouca meu pirão primeiro

Adaptando um pouco o texto citado no primeiro parágrafo, ter responsabilidade emocional consigo mesmo é basicamente o seguinte: não se faça sofrer, não seja um babaca com você mesmo, não assuma coisas que nem se quer foram ditas. Faça auto análises e seja honesto consigo. 

Trocando em miúdos e transcrevendo esse texto do sempre didático e querido A Mente é Maravilhosa:

A responsabilidade emocional por si mesmo envolve assumir o comando da situação, não só dos comportamentos que levamos adiante, mas também daquilo que pensamos e sentimos. Em suma, de nossa existência. 

Deu para entender? A gente precisa parar de se colocar (e aceitar estar) em situações que nos fazem mal. Não podemos confundir força e coragem com irresponsabilidade emocional.

Se você ainda não se sente preparado para falar com alguém, ir em algum lugar ou voltar a fazer certa atividade... se respeite! Não force. Ir além no momento errado pode gerar consequências muito mais complicadas de lidar do que o sentimento que já está sendo tratado. 

Não tem problema nenhum colocar a sua saúde mental em primeiro lugar. Mesmo que para isso você precise tomar medidas drásticas, muitas das quais as pessoas envolvidas não vão entender.

bloquei no WhatsApp, excluí no Facebook, deixei de frequentar lugares e manter amizades relacionadas. Por ser boba e imatura? De maneira nenhuma. Mas por me respeitar e saber onde estou dentro do processo de cura em certas emoções e situações. 

Essas atitudes vão permanecer pelo restante da minha vida? Talvez sim, talvez não. Pode ser que, em algum momento, eu me sinta confortável de voltar a falar com alguém, ou frequentar certos lugares e ouvir determinada música. Se rolar, que bom! E se não rolar, tudo bem também. Em ambos os casos vou estar sendo responsável emocionalmente comigo mesma. 

Existe um momento nessa jornada onde a gente precisa peitar as decisões relacionadas ao nosso bem estar emocional. E isso, de maneira nenhuma, é ser egoísta.

Na verdade, é se conhecer muito bem, sabendo exatamente quais são os gatilhos capazes de te derrubar. É melhor ter alguém emburrado comigo, do que ficar dias chorando sem sair da cama por culpa da bendita pessoa. Essa fase já passou, né? 

E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará

A chave para não ser mais um carrasco com você mesmo? Auto conhecimento. 

Mais uma vez eu enfatizo: se for possível, faça terapia. Ter um profissional como parceiro na jornada de desvendar e entender sua alma possui um valor inestimável.

Se não for possível (e até se você faz terapia, esse é um ótimo exercício contínuo), faça auto análise. Questione o motivo de sentir o que sente e fazer o que faz. Passe bastante tempo sozinho, refletindo sobre seus medos, decisões, sonhos, escolhas. Leia tudo o que puder sobre auto conhecimento e as questões específicas que te cercam. Se torne um eterno estudioso de você mesmo. 

Essa é a única maneira de entender seus limites e perceber quais seus gatilhos. Além disso, quando passamos tempo nos conhecendo descobrimos nuances que fazem com que nos tornemos apaixonados (de um jeito bom) por nós mesmos. A partir daí começamos a enxergar o nosso valor e depois disso fica extremamente difícil ficar por perto de quem não é capaz de ver o mesmo. O que eu acho ótimo. 

Faça uma limpeza na sua vida, sem medo de deixar para trás coisas, situações e pessoas com as quais já estava acostumado. A sua saúde emocional é MUITO mais importante do que tudo isso. A verdadeira liberdade é conquistada abrindo mão das algemas que aprendemos a usar diariamente. 

Chega de ser babaca com você mesmo. Vamos levar esse relacionamento para um outro nível?